Violência policial contra negros no Brasil e no mundo

Enviada em 17/07/2020

Apesar de a abolição da escravatura já ter sido realizada há quase 200 anos no Brasil, o preconceito para com pessoas de origem afro ainda é realidade no país; isto ocorre especialmente por conta da falta de atitudes do governo brasileiro, desde então, para com a população negra: nenhuma política de inserção destes foi realizada, tanto é que a maior parte da população preta no Brasil está inserida em comunidades. Ser maioria da população do Brasil é um sinal de alerta para um dos principais problemas sofridos no país: a violência policial. Só do último ano pra cá foram 1.423 pessoas negras mortas em operações da polícia, sendo que no ano de 2020, ainda que em pandemia, foram quase 10 crianças racializadas assassinadas pela polícia. A persistência da estrutura racista no país deve ser abolida a fim de que o genocídio da população negra promovido pela polícia militar seja impedido.

O racismo no Brasil ainda é um problema muito pouco discutido, inclusive considerado como um preconceito velado. Deixar de falar sobre este não faz com que ele pare de existir, muito pelo contrário: a falta de educação sobre tal pauta em escolas, faculdades e locais públicos é um motivo para que crimes hediondos ainda tenham como alvo pessoas de cor. A relação de poder da polícia sobre a população faz com que pessoas pobres e negras sejam o foco da violência exercida por tais autoridades. O caso mais recente registrado desta agressão foi o caso da mulher de 51 anos pisoteada e arrastada por um policial militar na zona sul de São Paulo; com a perna quebrada e ferimentos no rosto, não só o físico da moça foi machucado, como também o psicológico, sendo que a vítima afirma estar insegura e com muito medo.

O álbum do grupo musical Racionais Mc’s, “Sobrevivendo no Inferno”, relata de maneira explícita a violência policial sofrida por pessoas negras em periferias. Na canção “Em Qual Mentira Vou Acreditar”, por exemplo, o eu lírico relata diferentes fraudes contadas a ele ao longo da noite, sendo a primeira vinda de um policial: “(…)Quem é preto como eu já tá ligado qual é, Nota Fiscal, RG, polícia no pé (“escuta aqui: o primo do cunhado do meu genro é mestiço, Racismo não existe, comigo não tem disso, é pra sua segurança”).” A negação da discriminação e a injúria racial sofridas são paradoxos que devem ser desconstruídos para o bem estar da população que já sofreu tanto com isso.

Deste modo, a violência policial deve ser combatida por meio de uma reforma nesta autoridade, com punições efetivas para policiais racistas e contendo treinamentos promovidos pelo governo com palestras sobre a oposição à desigualdade racial. Assim, as estatísticas de assassinato diminuirão e a população negra acaba com a raiz de um dos muitos problemas sofridos pela mesma.