Violência policial contra negros no Brasil e no mundo

Enviada em 22/07/2020

Não obstante a luta de tantas pessoas e organizações negras tenha conquistado o reconhecimento de direitos no Brasil, o preconceito racial e seus efeitos permanecem fortes em nossos dias, como pode ser observado desde as estatísticas socioeconômicas apresentadas, passando pelo uso comum de expressões com conotação racista – tais quais denegrir, cabelo ruim, dizer que a coisa tá preta – até a atuação do aparato repressivo do estado.

É preciso, num primeiro ponto, reconhecer que o Estado age de forma diferente a depender da região (rica, classe média ou pobre) ou de qual pessoa se trata (recorte de classe e raça). O abuso de autoridade, que é empregado por vários policiais, tem com o intuito de repreender de forma truculenta e, muitas vezes, sem a averiguação de delitos. No mês de abril de 2015, professores paranaenses foram agredidos enquanto protestavam contra a alteração de custeios da previdência social, em frente à Assembleia Legislativa. O uso da força militar corroborou para o descrédito e a sensação de insegurança à população, pois essa espera proteção, e não mais o contra-ataque.

Além disso, a Constituição – por meio do artigo 144 – afirma que o papel da segurança pública é promover a manutenção da ordem pública de acordo com os interesses do Estado. Um caso que gerou comoção nacional foi a morte do menino João Pedro, morto dentro de casa, no complexo de favelas do Salgueiro, em São Gonçalo, região metropolitana do Rio durante operações policiais. É absurdo afirmar que as ações da polícia foram corretas do ponto de vista técnico, todos foram fuzilados covardemente. Por que isso ocorre? Porque a formação é precária e fragmentada, ruim. Conteúdos como cidadania, direito do cidadão e formação humanística são desprezados. Logo movimentos como o Black Lives Matter (Vidas Negras Importam), se tornam importantes de forma que, pessoas negras e/ou brancas que usam seu privilégio para dar voz a luta, consigam conscientizar sobre racismo e violência policial contra negros a fim de que não ocorram mais mortes inocentes no país.

Fica perceptível, portanto, a necessidade de mudar a postura da polícia em diferentes contextos. Assim, é viável reformular o modo que esses agentes são treinados para o cumprimento de ordens, a fim de evitar reflexos da opressão do golpe militar de 1964, como também, o acompanhamento psicológico, educacional desses profissionais e a denúncia de brutalidades, inibindo o abuso de poder e as manifestações de violência incorporadas em seus ideais. Desse modo, com a reaprendizagem de sua função, a sociedade passaria a se sentir mais confiante em relação à segurança pública brasileira e a diminuição de mortes de vidas negras.