Violência policial contra negros no Brasil e no mundo

Enviada em 18/07/2020

Insegurança Pública

A Minissérie “olhos que condenam” trouxe à tona o caso dos “Cinco do Central Park”, crianças condenadas injustamente por claro racismo institucional. Esse drama não é restrito aos Estados Unidos, visto que os índices de violência e mortes de crianças e jovens negros no Brasil pelos policiais são alarmantes. Logo, é necessário uma mudança sociocultural no que tange ao estereótipo racial e a negligência do estado no combate aos problemas de segurança pública .

Em primeiro lugar, é importante destacar que o racismo estrutural é impulsionador para o aumento da violência policial. Com a banalização da morte e principalmente a associação de que os afrodescendentes são responsáveis pela violência é um discurso elitista histórico. Por exemplo, a juíza da quinta Vara Criminal de Campinas, Lissandra Reis Ceccon, redigiu em acórdão que um réu suspeito de latrocínio não teria as feições típicas de um ladrão, já que é branco com cabelo, pele e olhos claros. Diante disso, é notório que a imagem construída do perfil do bandido é sustentado na herança histórica do jovem negro da Periferia.

Além disso, o Estado, por meio de suas instituições de segurança publica, mantém ou cria estruturas que sustentam discursos e ações de intolerância. Desta forma, o caso do menino de 12 anos, João Pedro, morto na sua própria casa por policiais no Rio de Janeiro, reforça como a perpetuação da discriminação alimenta a segregação, apesar da constituição garantir a igualdade a todos os cidadãos e a diversidade ser uma marca de identidade brasileira, observa-se que a negligência governamental no combate à violência que fomenta a sensação de impunidade é pautada no fenótipo. Soma – se a isso a certeza da impunidade, causada por uma policia sucateada e corrupta e uma Justiça lenta e parcial.

Logo, repensar o atual modelo deve ser urgente. Diante dessas questões, faz-se necessário reduzir o número de mortes e violência por policiais, principalmente em grupos negros e faixa etária jovem. Cabe ao Ministério da Justiça e Segurança pública criar campanhas de estímulo à consciência crítica sobre o complexo quadro da segurança pública e desconstrução de estereótipos por meio de campanhas midiáticas, em jornais impressos, redes sociais e escola, que promovam novas diretrizes, ampliem novos valores morais e éticos para que a discriminação seja reduzida . Em adição , as corregedorias apliquem as políticas de punição efetiva para os policiais infratores, reduzindo a sensação de impunidade atual. Com vista a combater a discriminação, bem como incentivar a empatia e o altruísmo.