Violência policial contra negros no Brasil e no mundo

Enviada em 22/07/2020

No começo de 2019, só a polícia do Rio matou 1.075 pessoas, sendo 80% negras. Total é o dobro das vítimas em todo os EUA no mesmo período. Mesmo um ano após tal estatística apavorante, em 2020 o cenário aponta que está apenas para piorar visto na repercussão da morte de George Floyde e torna-se cada vez mais constante no Brasil e no mundo tais mortes advindas da violência policial. Diante do exposto, faz se necessário o combate à opressão racial e evidencia-se o racismo estrutural aliado ao abuso de poder das autoridades de segurança.

Em primeiro plano, cabe ressaltar a negligência por parte da justiça como fator que atrasa e reprimi a luta racial. Só para ilustrar, em Janeiro de 1989, foi aprovada a lei 7.716 que segunda esta, define como crime qualquer tipo de discriminação ou preconceito racial, religioso, étnico, entre outros, tendo como medida punitiva o julgamento por tal ato, todavia é gritante a quantidade de policiais ou autoridades de segurança que já saíram ilesos ou com uma punição pouco significativa, por crimes raciais juntamente com o abuso de poder. Logo, conclui-se que, ainda há diversos fatores que retardam a luta pelo preconceito e que estão debaixo do tapete da sociedade, a qual na maior parte das vezes, nós não levantamos a voz em busca de justiça e simplesmente fechamos os olhos perante o cenário.

Em segundo plano, nota-se a construção histórica para a atual configuração social que presenciamos, ainda mais no Brasil que possui um passado agravado pela escravidão, sendo abolida tardiamente, e que reflete suas marcas e feridas na população negra de hoje. Segundo a historiografia, não é de surpresa para muitos, que o povo negro foi intencionalmente excluído da sociedade dominada pela supremacia branca visto em projetos de ‘branqueamento’ da população, a promoção do racismo como ideologia, entre outros. Ademais, a abolição só trouxe a liberdade jurídica, socialmente, os ex-escravos e seus descendentes permaneceram inferiorizados até os dias de hoje, e muitos desses pensamentos de inferiorização são vistos na abordagem de policiais com a massa negra da população justificando assim, a segregação racial no Brasil  e o número de mortes de negros em abordagens de policiais.

Dessarte, fica evidente a necessidade de ação para a mudança do atual contexto de desigualdades entre raças, que continua assolando o país. O Ministério da Justiça e Segurança Pública deve promover uma requalificação dos policiais de todos os âmbitos e reforçar as leis e as medidas punitivas na hora do julgamento em casos de violência e discriminação, isto por meio de uma fiscalização e apresentação didática de que não é permitido uma diferente abordagem por motivos raciais, no preparamento daqueles que servirão à segurança pública, a fim de desconstruir o racismo estrutural e criar policiais conscientes e aptos a um bom tratamento em momentos de apreender alguém.