Violência policial contra negros no Brasil e no mundo
Enviada em 22/07/2020
O Brasil carrega consigo uma história de 300 anos de escravidão, em que o tráfico negreiro foi um dos maiores meios de lucro nesse período, e também foi o último país da América a abolir o trabalho escravo negro, formalmente, em 1888. Os traços dos movimentos tardios contra o racismo no país, impulsionam a situação das comunidades negras brasileiras no século XXI, mesmo décadas após a abolição. O preconceito se tornou habitual e trouxe dificuldades para os que o sofrem, não só em relação ao nível acadêmico e condições de vida, mas também em relação a violência, que é cada vez mais vista em razão da tecnologia e sua rápida transmissão de informações. Assim como o ator estadunidense Will Smith diz: “O racismo não está piorando, está sendo filmado”. O que antes era feito longe dos olhos do povo agora está tendo a oportunidade de ser visto por todos, o que traz uma maior comoção não só pelo país, mas também por todo o mundo. Todos devem ser tratados de uma mesma maneira e por isso há tantos protestos, que deverão continuar se não houver uma intervenção por meio da sociedade.
De acordo com o JusBrasil, entre os anos de 2009 e 2011, 939 casos, o resultado aponta que 61% das vítimas de morte por policiais eram negras. No âmbito infanto-juvenil, os dados são mais alarmantes: entre 15 e 19 anos, duas a cada três pessoas mortas pela PM são negras. Isso demonstra, principalmente com os dados infanto-juvenil, que essas mortes não foram causadas por “justa causa”, mas sim que há um preconceito prévio contra as vítimas. No Brasil 75% das mortes causadas por policiais são de pessoas negras, sendo que no Rio de Janeiro a taxa chega a 80%, alarmando a situação do racismo.
Em uma entrevista, o coronel reformado da Polícia Militar do Rio de Janeiro Íbis Pereira afirma: “O racismo não deve ser lido pelo simples ódio ao negro. Assim, seria muito fácil resolver. Bastaria isolar os racistas. Como tecnologia de dominação, pela força e consciência, o racismo determina o modo de funcionamento das instituições e opera como ferramenta de reprodução das desigualdades”. Com a baixa porcentagem de negros em cargos de destaque na política (18% - politize), a elitização do branco facilita o controle sobre a população negra (maioria de baixa renda), que se sente pouco representada.
Para que a igualdade entre brancos e negros seja uma realidade, é preciso que o Ministério da Educação faça campanhas, por meio da internet, visando espalhar dados sobre a violência negra causada por policiais, por exemplo utilizando gráficos e infográficos. Com isso, as crianças e jovens do Brasil crescerão com a consciência de que não há uma igualdade entre etnias, o que fará delas pessoas que também lutarão pelas causas contra o racismo.