Violência policial contra negros no Brasil e no mundo
Enviada em 23/07/2020
Entre janeiro e junho de 2019, a polícia do Rio de Janeiro matou 1.075 pessoas, sendo 80% delas negras. O uso excessivo da brutalidade pela força policial tem se mostrado frequente, principalmente no Brasil e Estados Unidos, entretanto, é imprescindível destacar a influência do contexto histórico desses países sobre essa situação. A estruturação jurídica de ambos se baseiam em políticas de segregação, como ocorrido nos Estados Unidos até a década de 60 com o “Jim Crow laws”, uma vez que as duas nações passaram por períodos escravocratas em suas histórias. Tal passado histórico explica o contexto da violência policial nos dias atuais.
“No Brasil, quando se mostra a morte de um negro, a luta é para provar que o indivíduo não era bandido, como se o fato de a pessoa ter cometido algum crime justificasse também a violência policial”- Silvio Almeida, professor da Universidade Duke, na Carolina do Norte. O fato de pessoas de pele negra ‘aparentarem ser criminosas’, vem sendo uma justificativa para a violência policial e os constantes assédios que esses indivíduos sofrem. Quase 5 mil brasileiros negros, sendo a maioria jovens, foram mortos pela polícia em 2018. A população negra do Brasil equivale ao triplo da americana, e aqueles que deveriam promover o símbolo de segurança e justiça, matam 18 vezes mais o número de negros americanos mortos.
Até a década de 60 nos EUA, Jim Crow pôs em vigor as leis de segregação racial americana, o qual proibia qualquer contato entre negros e brancos. No entanto, há maneiras diversas de manter essa hierarquia racial sem a utilização desse sistema, como por exemplo, a nomeação daqueles que são dignos de justiça e daqueles que, mesmo crianças, são mortos dentro de casa por uma ‘bala perdida’, como foi o caso de João Pedro Mattos, um menino negro baleado durante uma operação policial em São Gonçalo. No filme “Luta por Justiça”(2019), e na minisérie “When They See Us”, é retratado a problemática da isenção e descaso da polícia para fazer justiça por pessoas negras, alegando-as como criminosas. Um relatório da Anistia Internacional, apontou que as forças policiais brasileiras são as que mais matam no mundo, inquestionavelmente essa realidade é fruto de anos de segregação.
O contexto histórico de ambos os países influencia nesse tipo de política de segregação e violência policial, por isso a ONU (Organização das Nações Unidas), criada para debater sobre temas ocorrentes nas nações e para cooperação internacional, deve por em pauta a violência da polícia contra negros para ser resolvida. Sendo assim, deve-se abrir uma investigação internacional sobre os assassinatos de negros nos países onde a justiça é violada, trazendo uma abordagem mais ampla do tema e inter-relacionando com o racismo e a disparidade racial, afim de combater essa cólera.