Violência policial contra negros no Brasil e no mundo

Enviada em 23/07/2020

Aqueles que promovem a “segurança”

O filme “O ódio que você semeia”, baseado no livro de Angie Thomas, conta a história de Starr Carter, uma adolescente negra de dezesseis anos que presencia o assassinato de Khalil, seu melhor amigo, por um policial branco, no bairro onde mora. Assim como Khalil, milhares de adultos e crianças negras morrem todos os anos no Brasil e em demais países, vítimas da violência policial. George Floyd, João Pedro, Ágatha Félix e muitas outras pessoas, a mesma história se repete apenas com nomes diferentes, nos mostrando que ainda existem muitas mudanças a serem feitas na justiça e o principal, na consciência de muitos que ainda apresentam um pensamento e  um modo de agir desumano.

A Lei Áurea pôs fim a escravidão, mas não garantiu a inclusão dos negros na sociedade, que continuaram a sofrer discriminação, esse passado de opressão é perceptível até hoje, onde o racismo surge como gerador de violência e ódio gratuito. Pode ser percebido desde expressões como ‘’a coisa está preta’’ ou até por fatos, como o de que os Estado Unidos só tiveram um presidente negro em quase duzentos e quarenta anos de independência. No Brasil temos o racismo velado, que apresenta um potencial ainda mais perigoso, uma vez que, se negamos a existência do racismo não iremos procurar maneiras de acabar com ele.

Nesse contexto, as autoridades policiais deveriam garantir a segurança e o bem estar da população, porém, ao invés disso elas funcionam como uma estrutura do estado para defender os lucros e as propriedades de uma elite. Um relatório da Anistia Internacional, apontou, em 2015, que as forças policiais brasileiras são as que mais matam no mundo. Os policiais envolvem suas crenças e ideais pessoais completamente distorcidos e desumanos em seu trabalho, destinando abordagens educadas e normais apenas a bairros ricos e pessoas brancas. Normalmente, os homicídios são de pessoas já rendidas e alvejadas sem qualquer aviso prévio, como justificativa, essas autoridades utilizam desculpas  sem cabimento, como confundir um guarda chuva, uma furadeira ou até uma peça de moto com uma arma. Assim como no filme, onde Khalil é morto por confundirem uma escova com uma arma.

Diante esse cenário caótico, movimentos como o “Black Lives Matter” são de extrema importância e cobram dos governantes um posicionamento. O governo por sua vez, deve garantir justiça as vítimas da violência policial e procurar reduzir o número de vítimas, seja aplicando uma pena mais severa as autoridades que cometerem o crime, apoiando movimentos antirracistas ou mesmo fornecendo a devida atenção e verba que os casos necessitam para suas investigações. Tudo isso buscando uma sociedade mais justa e mais humana, onde os negros possam viver suas vidas sem medo e opressão.