Violência policial contra negros no Brasil e no mundo

Enviada em 23/07/2020

Na música “A carne”, segundo a cantora Elza Soares, “A carne mais barata do mercado é a carne negra que vai de graça pro presídio e para debaixo do plástico." Analisando para além da composição, a realidade enfrentada pelo cidadão negro no Brasil e no mundo, permanece se assemelhando ao trecho da obra, principalmente após os eventos ocorridos nos últimos meses, que deram origem a uma onda de manifestações em prol do movimento nomeado de “Black Lives Matter”, traduzido para “Vidas Negras Importam”. A mobilização, iniciada nos Estados Unidos, sucedeu após a morte do norte-americano George Perry Floyd Jr, enforcado por um policial em Minneapolis, nos EUA, durante uma abordagem. Consequentemente, o acontecimento gerou uma grande comoção ao redor do mundo ao exibir a violência e discriminação cometida por policias contra a população negra, contrariando sua função na sociedade, a qual deveria ser a transmissão do sentimento de segurança à todos.

Desde o século XVI, o racismo se tornou parte da estrutura social brasileira, tornando a população  sujeita a desenvolver esteriótipos equivocados, que resultam na discriminação racial. A influência histórica e a representação midiática corroboram com o fato de a população negra ser vista com ‘maus olhos’, principalmente propagando a concepção de que todo negro é ‘bandido’ ou ‘criminoso’. Por conseguinte, essa generalização também está presente durante a abordagem de policias, na qual pessoas brancas recebem mais privilégios e uma conduta pacifica, em oposição há as pessoas negras, que são consideradas “culpadas até que se prove o contrário”.

De acordo com o jornalista João Soares, em 2018, a cada quatro mortes cometidas pela polícia no Brasil, uma aconteceu no Rio de Janeiro. Das 1.075 vítimas no estado, entre janeiro e julho de 2019, 80% eram negras. O total corresponde ao dobro das mortes praticadas pela polícia dos Estados Unidos no mesmo período, demonstrando que a realidade presente no país é considerada crítica a bastante tempo, porém não ganhou tanta visibilidade pela própria população em relação ao norte do continente.

Diante dos argumentos supracitados, é necessário que providências sejam tomadas a fim de diminuir o preconceito e a discriminação racial existente em meio a instituição da Policia Militar. Dessarte, urge ao Ministério da Justiça e Segurança Pública criar projetos com o propósito de reeducar os policiais em relação às suas abordagens, aprimorando o treino e as formas de lidarem com situações que exijam mais cautela e pacificidade, para que não sejam violentas e de cunho preconceituoso, como julgar a criminalidade de um indivíduo por seu tom de pele. Assim, se espera que seja cessada a violência policial contra negros no Brasil, libertando a população negra da discriminação racial, e ajudando-a a obter uma vida normal, livre dos traumas que são vivenciados na sociedade.