Violência policial contra negros no Brasil e no mundo
Enviada em 23/07/2020
Que nossos heróis não sejam apenas homens brancos.
É notável recentemente as diversas manifestações ocorrendo pelo mundo. Uma delas sendo pelo movimento negro e contra a violência policial, ganhando destaque nos Estados Unidos e no Brasil. Países onde recentemente houve casos revoltantes de assassinatos a pessoas negras em plena luz do dia, pelas mãos daqueles que deveriam servir e proteger a população.
É importante lembrar de todo o contexto histórico que levou a humanidade até esse ponto. Nos Estados Unidos, o racismo sempre foi evidente, principalmente nos estados do sul do país, após a guerra de recessão, foi assinada a décima terceira emenda que teoricamente acabou com a escravidão em 1865, mas não deu fim totalmente a essa prática, apenas mudou o modo de realizá-la. Já no Brasil a abolição da escravatura só ocorreu em 1888, sendo o último país da América a libertar seus escravos, mas assim como nos EUA não houve resultado, pois, não garantia nenhum direito aos libertos e os deixou a margem da sociedade, criando assim a base da diferença social entre negros e brancos que há hoje.
Nos EUA a maior parte da população é branca, isso contribui para a perpetuação do racismo e a disseminação dos ideais de grupos como a Ku Klux Klan, que visam o extermínio da etnia negra. No Brasil, a realidade não é tão diferente, só é velada.
Mesmo o grupo KKK não sendo tão presente do Brasil, já houve algo parecido. Nos séculos XIX e XX, vigoraram as teses que defendiam o darwinismo social. Nesse período, intelectuais brasileiros, criaram a tese do “embranquecimento”. Como no Brasil havia muitos negros, a ideia era trazer mais europeus, de forma a miscigenar e gerar indivíduos mais brancos a cada geração.
É possível ver historicamente como sempre houve a pretensão de eliminar a população negra e isso gerou ideais perigosos que ainda se perpetuam e que são os responsáveis por todo o racismo atual e a violência policial sofrida por esse povo.
Dessarte, para se abolir toda a violência e o racismo é necessário haver uma reparação histórica, é preciso mostrar o passado real, como constatou George Orwell: “A história é contada pelos vencedores” e isso criou a imagem de heróis em pessoas que, na verdade, eram assassinos, racistas, etc. Para haver a reparação histórica o governo e os ministérios de educação devem mostrar a história pelo lado dos que sofrem agressões a séculos, incentivar nas escolas e na mídia, o fim do culto a figuras como Duque de Caxias e Thomas Jefferson. É preciso destruir as estátuas que glorificam essas pessoas, pois não se pode mudar o passado, mas se pode aprender com ele, se pode refletir sobre ele e decidir aquilo que vale a pena ser lembrado. Assim será possível criar um futuro melhor.