Violência policial contra negros no Brasil e no mundo

Enviada em 28/07/2020

No filme “O ódio que você semeia” Starr, uma adolescente negra, testemunha a morte de seu melhor amigo inocente, também negro, por um policial branco e se revolta após o assassino ficar impune, enquanto seu falecido amigo é difamado por notícias falsas. De maneira análoga a obra, a violência policial contra os negros é um problema vigente no Brasil e no mundo, com causas que permeiam o âmbito social e estatal. Dessa forma, os preceitos racistas intrínsecos na sociedade e a impunidade da polícia violenta, fomentam a brutalidade policial.

Em primeiro plano, é basilar ressaltar a perpetuação de valores e pensamentos alinhados a teorias racistas do imperialismo no corpo social. Nessa óptica, a partir da teoria da linha de cor do sociólogo William Du Bois, analisa-se que a discrepância das oportunidades, tratamento e perspectivas dadas aos brancos e negros, são o estopim dos recorrentes problemas inter-raciais. Visto que, constituem o estigma de bandido, pobre e sempre culpado do negro e de inocente e correto do branco. Isto posto, haja vista essa visão ser disseminada pelas instituições sociais na população mundial, os agentes da sociedade, como os policiais, atuam violentamente de acordo com esses estigmas.

Ademais, é lícito afirmar que a ausência de punição devida aos atos violentos da polícia contra os negros, contribui para perpetuação desse cenário negativo. Sob esse viés, com base no conceito de Sociedade Disciplinar de Michel Foucalt, filósofo francês, a fim de regular a conduta dos indivíduos é necessário punir como forma de correção. Logo, como o Estado permanece anódino a brutalidade policial os mesmos abusam do monopólio legítimo da força e da violência, e ao invés de organizar e pacificar a sociedade utilizam esse monopólio como instrumento de dominação de um grupo sobre o outro. Assim, a impunidade, permite que a polícia usa a violência para silenciar minorias, como a comunidade negra.

Diante do exposto, portanto mitigar a violência policial no Brasil e no mundo não postula-se fácil, porém tornar-se-á possível por meio de abordagem educacional e midiática. Por conseguinte, impende as instituições escolares públicas e privadas, aliadas a mídia, promover projetos e campanhas que retifiquem os valores do corpo social e denunciem a brutalidade policial. Essa ação pode ser constituída por debates entre estudantes, do nível fundamental ao médio, professores negros de sociologia e profissionais da área de segurança pública, que acreditem em uma polícia pacificadora. Além de, vídeos didáticos, os quais delatem a agressividade da polícia contra os negros e sejam amplamente divulgados. Com fito de restaurar os valores da sociedade e impelir repreensão do Estado em casos de impunidade. Por fim, realidades de violencia policial, como a do filme, se restringirão a ficção.