Violência policial contra negros no Brasil e no mundo

Enviada em 01/08/2020

No livro “O ódio que você semeia”, uma adolescente negra presencia o assassinato de seu melhor amigo nas mãos de um policial branco e, por ser a única que presenciou a cena, é obrigada a testemunhar, tornando-a alvo de ameaças. Fora da ficção, episódios semelhantes são facilmente encontrados devido a frequência em que ocorrem casos de violência policial contra negros, reforçando um racismo presente na sociedade desde os séculos XVI e XVII.

De acordo com o Gevac (Grupo de estudos sobre violência e administração de conflitos), da Universidade Federal de São Carlos, a análise sobre taxa de 100 mil habitantes indica que a mortalidade negra é três vezes maior do que a branca. Essa significativa diferença está diretamente relacionada com operações policiais realizadas em periferias, onde a grande maioria da população é negra. Ainda, existe o hábito de dedução que negros são os maiores envolvidos com o crime, o que não é verdade, como mostram dados do site Federal Bureal Of Prisons, responsável pelas prisões nos Estados Unidos, os quais apontam que 38% dos 164 mil presos são negros, contra 58,2% brancos.

Como reflexo dessas ações racistas, nota-se a conscientização por parte da população e a criação de movimentos sociais. Com o assassinato de George Floyd, nos Estados Unidos, e do menino João Pedro, no Brasil, ambos vítimas de policiais brancos, houve a criação do movimento “Black lives matter” ou “vidas negras importam”, que tem tomado conta das ruas de diversos países e das redes sociais. Dessa forma, pretende-se extinguir o conceito equivocado de superioridade branca e levar informação para que, cada vez mais, a morte de negros nas mãos de policiais não faça mais parte da realidade do século XXI.

Segundo a Declaração Universal dos Direitos Humanos, o respeito e a tolerância são pilares para a construção de uma sociedade boa e igualitária. Nesse sentido, é preciso que mudanças sejam feitas para que o racismo deixe de ser recorrente. É necessário que o Governo Federal crie leis que protejam essa parcela da população, de modo que sejam criadas punições para policiais que a descumprirem. Assim, não poderiam mais exercer a profissão e não sairiam impunes, podendo tornar as práticas preconceituosas menos recorrentes. Ainda, é necessário que fiscais certifiquem de que o cumprimento da lei e suas respectivas punições estejam, de fato, sendo exercidas. Desse modo, seria possível minimizar o índice de membros da polícia racistas, tornando a sociedade um lugar mais seguro para a população negra.