Violência policial contra negros no Brasil e no mundo

Enviada em 30/07/2020

Segundo Carolina Maria de Jesus, “o negro só é livre quando morre”. Em consonância com o discurso da escritora, o princípio de igualdade civil não abrange a todos os cidadãos, embora seja assegurado por lei. Nesse sentido, a população “não branca” sofre com a discriminação e com a violência policial no Brasil e no mundo, em decorrência da perversa concepção de hierarquia étnica, gerada pela escravidão.

Primeiramente, no berço das primeiras civilizações, um indivíduo se tornava escravo por dívida, mau comportamento ou por ser prisioneiro de guerra. Com o decorrer da história, entretanto, a questão racial passou a ser determinante nesse processo e, com a possibilidade de obter lucro com o tráfico de negros, o racismo se estruturou nas civilizações ocidentais, visto que a sociedade os considerava mercadorias. Dessa forma, criou-se no imaginário das pessoas a nefasta ideia de que houvesse uma supremacia do branco em detrimento dos afrodescendentes, presente ainda hoje nos discursos de ódio.

Nessa perspectiva, movida pela intolerância e pelo preconceito, a violência contra essa minoria cresce e se estende até mesmo à polícia, como foi possível observar nos assassinatos recentes de George Floyd nos EUA e do jovem João Pedro no Rio de Janeiro, ambos por quem deveriam protegê-los: policiais. Esses fatos corroboram a tese de que a isonomia não é para todos, mas restrita à ausência de melanina. Ainda que seja considerada intolerável pela “Constituição de 1988”, no cotidiano, a essência do “habeas corpus” – inocente até que se prove o contrário- é ignorada.

Em síntese, torna-se evidente, portanto, que a violência policial contra negros no Brasil e no mundo é uma problemática social grave que precisa ser resolvida; logo, cabe à escola, com apoio da família, realizar encontros para debates a questão da negritude na contemporaneidade e, por meio do diálogo com representantes de movimentos contra o racismo, desestruturar a discriminação, a fim de garantir a igualdade civil. O governo, por intermédio das secretarias estaduais de segurança, pode suspender a atuação dos oficiais que tiverem esse tipo de desvio de conduta por um ano e, nesse período, submetê-los a aulas sobre a história da escravidão e as consequências negativas do preconceito racial a quem o sofre, no intuito de humanizar esses cidadãos e de fazê-los cumprirem com o dever de proteger a todos. Com essas ações, iremos garantir que a população “não branca” se sinta pertencente à sociedade e livre para viver sem temer o ódio, em segurança.