Violência policial contra negros no Brasil e no mundo
Enviada em 31/07/2020
Émile Durkheim afirmava que a violência é um subproduto da sociedade e é existente em qualquer época. Análogo à isso, é possível inferir que a violência policial no Brasil e no mundo é o resultado mais explícito de um passado que desumanizava e escravizava pessoas negras. Desse modo, seja ainda pela perpetuação da animalização de afro-descendentes ou pela inferiorização social, a posição da polícia em detrimento à essa parcela da população é problemática.
No reality show Big Brother Brasil, um participante homem e negro era constantemente visto pelas outras pessoas da casa como alguém violento e brutal, como resultado, sofria pelo pré-julgamento de todos, muitos sem ao menos conversar com ele. Sob esse recorte sociológico, fica evidente a animalização sofrida pelos negros. Desse modo, a forma que a polícia trata essa parcela é um reflexo de tal estigma. Pois, eles são vistos como animais que possam apresentar algum perigo, o que de forma automática faz com que os policiais não dê a eles o tratamento que daria a um jovem branco, como o direito de se provar inocente antes mesmo de ser preso ou levar um tiro.
Por conseguinte, a posição de inferioridade na qual já são colocados por causa de resquícios de racismo estrututal, faz com que estes não usufruam de seus direitos de forma plena e não tenha uma igualdade efetiva com pessoas brancas. Em um episódio da série Grey´s Anatomy, uma médica ensina seu filho, negro, como se comportar se for abordado ou avistar algum policial. Paralelamente, se as famílias afro-descendentes se preocupam em ensinar desde cedo tais métodos, e esses jovens ainda crianças precisam desse conhecimento, fica evidente que nem mesmo os direitos de uma criança são respeitados de forma correta. Ou seja, o racismo estrutural está principalmente à frente da humanidade.
Portanto, consoante ao que afirmou Durkheim, para que os subprodutos da sociedade mudem e em conjunto, modifiquem a violência militar atual, é necessário ação. O próprio órgão da Polícia Militar, como forma de diminuir os casos de mortes de inocentes negros, através de aulas ministradas por vítimas de violência policial, devem se informar e buscar entender os estigmas do racismo no trabalho de segurança da população, para que saibam identificar ações tomadas baseadas em racismo estrututal ou pelos próprios ofícios do trabalho.