Violência policial contra negros no Brasil e no mundo

Enviada em 07/08/2020

A origem das forças policiais nos Estados Unidos remonta a uma patrulha oficial do século XVIII responsável por perseguir escravizados fugitivos e reprimir violentamente revoltas. Dentro dessa perspectiva, observa-se, na contemporaneidade, uma continuidade dos conflitos entre a força policial e a população negra, tanto devido à ação da polícia segundo os ditames da hierarquia racial e social, quanto pela impunidade nos casos de violência e abuso de poder. Logo, é indispensável debater a violência policial contra negros no Brasil e no mundo.

Sobre essa conjuntura, Racionais Mc’s cantam: “A polícia sempre dá o mau exemplo/ Lava minha rua de sangue, leva o ódio pra dentro”. Sob tal óptica, a música representa habilmente a extrema violência com que as forças policiais agem dentro das comunidades negras e periféricas. De acordo com a professora Yanilda Gonzáles a população negra representa 75% das vítimas de letalidade policial no Brasil; desse modo, tais dados demonstram uma política de extermínio que anula os direitos básicos desses setores sociais mediante a uma suposta justificativa de “manutenção da ordem”. Assim, o filme “Infiltrado na Klan” retrata uma cena em que ativistas do movimento negro são abordados pela polícia de forma truculenta e infundada. De forma análoga, quadros assim são habituais na realidade e retratam a manutenção e o aperfeiçoamento do pensamento escravocrata dentro da polícia, em que o negro é constantemente visto como inferior e alguém a ser suprimido.

Ademais, o assassinato de George Floyd por um policial branco nos EUA representou o estopim para uma série de protestos incitados não somente pelo caso, mas sobretudo pela desvalorização da vida da comunidade negra e pela cultura de impunidade nesses crimes. Segundo dados do jornal “El País”, 90% dos casos de mortes cometidas por agentes do Estado não são investigados ou acabam arquivados. Consequentemente, tal cenário de impenitência estimula a perpetuação da violência contra a comunidade negra, pois, ao sair ileso de tais atos, o policial entende que determinada prática é, não apenas aceitável, como também parte de seu trabalho. Isto posto, é impreterível que a vida do negro deixe de ser subvalorizada e que os policiais que cometem abusos sejam punidos devidamente.

Em suma, fica evidente a necessidade de alterar esse cenário no mundo. Portanto, é viável reformular o modo que esses agentes são treinados para o cumprimento de ordens, a fim de evitar reflexos de hierarquias raciais e sociais, como também, o acompanhamento psicológico, educacional desses profissionais e a denúncia de brutalidades, inibindo o abuso de poder e as manifestações de violência incorporadas em seus ideais. Destarte, os reflexos da escravidão poderão finalmente ser superados e as forças policiais não mais evocarão a lembrança daquela patrulha do século XVIII dos EUA.