Violência policial contra negros no Brasil e no mundo
Enviada em 04/08/2020
O filme “Infiltrado na Klan”, do diretor Spike Lee retrata a história de um policial negro que se infiltrou no Klu Klux Klan, a fim de desestabilizar esse clube racista existente no estado estatudidense do Colorado. Fora da ficção, a violência e o genocídio da população negra continua vigente na sociedade, sendo uma problemática abordada no filme e que não se limita apenas à um contexto territorial. Nesse aspecto, alguns fatores como o mito da democracia racial e a violência policial dirigida a essa parcela da população contribuem para a perpetuação dessa questão.
Primeiramente, vale ressaltar que existe uma falha associação entre o fim da escravidão no Brasil com a conquista da equidade social do povo negro. Dentro dessa ótica, o conceito de democracia racial defendido pelo sociólogo Gilberto Freyre afirma que a miscigenação ocorreu de forma tão eficaz que conseguiu suprir as diferenças étinica-racial no país. Entretanto, a teoria vêm perdendo forças, visto que a marginalização dos negros, adivinda do fim judicial da escravidão em 1988 e da ineficácia inserção desse povo na conjuntura social, são existentes até os dias atuais, fato que demonstra a intensa desigualdade racial existente no Brasil.
Outrossim, a violência policial contra a população negra contribui com a manutenção do genocídio desse povo. Nota-se que, sob os indivíduos negros, em destaque ao jovem periférico existe um esteriótipo de criminoso, pressuposto que prevalece no imaginário coletivo. É evidente que essa visão pré-formada leva à agentes da segurança agirem de forma abrupta em casos de abordagens. Segundo o Atlas da Violência de 2019, cerca de 75% das vítimas de assassinatos eram negros, estatística que corrobora as ideias da socióloga negra e ativista dos Direitos Humanos, Djamila Ribeiro, que afirma que o visual, corpos e cultura dos cidadãos negros são demonizados e subjugados por uma sociedade que é cultural e historicamente complacente com esse cenário discriminatório.
Diante disso, torna-se indiscutível a necessidade de se conquistar caminhos para combater o genocídio da população negra. Em primeira instância, é necessário combater a origem da discriminação, ou seja, o pensamento racista da população. Para isso, o Governo Federal, atráves do Ministério da Cidadania e junto com Congresso Nacional deve alterar as diretrizes das escolas adicionando na matéria de sociologia a obrigatoriedade do ensino da Valorização da Cultura Negra, a fim de criar na mente dos jovens uma empatia e respeito ao próximo e as diveridades. Ademais, os governos locais junto com o Ministério Público deve atuar na capacitação dos policiais com base nos Direitos Humanos e aplicação eficaz das leis punitivas contras policiais que agirem de forma discriminatória, a fim de estabelecer uma equidade entre os cidadãos.