Violência policial contra negros no Brasil e no mundo

Enviada em 10/08/2020

O racismo é construído a partir da concepção incorporada das próprias ações públicas. Essas características são passadas de maneira informal, identificando os jovens negros como indivíduos passíveis de cometer violência. Não é possível, entretanto, analisar se os negros cometem ou não mais crimes.

Desde o início do ano, 741 pessoas foram assassinadas pela polícia militar no Rio de Janeiro. Um recorde desde que as estatísticas começaram a ser compiladas na cidade, em 1998. São Paulo também teve recorde esse ano, com 442 mortos pela PM. O fato dos atos de violência policial acontecerem muitas vezes em plena luz do dia, como o caso do vídeo da mulher sendo pisada por um PM, mostra também que os policiais não temem ser investigados pelos atos violentos que cometem. “A maneira como a mídia brasileira trata desses episódios de racismo no Brasil faz parte do racismo que estrutura a sociedade brasileira, analisa o advogado Humberto Adami. O racismo é negado. E é muito mais difícil combater algo cuja existência é negada”.

A vítima de maior repercussão foi o menino João Pedro, de 14 anos, assassinado em maio após ter sua casa alvejada por 72 tiros de fuzil disparados por policiais. No pedido de investigação da morte, o Ministério Público Federal incluiu a suspeita de tentativa de ocultação de cadáver. O nome do adolescente foi lembrado em diversos momentos do protesto, bem como o de George Floyd, morto durante uma operação policial em Minneapolis, nos Estados Unidos. Deitados no chão, manifestantes repetiam a frase “não consigo respirar”, as últimas palavras de Floyd.

O racismo que a polícia expressa de forma mais acabada é expressa cotidianamente das mais diversas maneiras, e muitas vezes desculpado e justificado de mil maneiras que procuram ocultar a situação de extrema opressão em que vive o negro no Brasil. Seria inlusive ingenuidade acreditar que em apenas um século seriam apagadas as marcas de 400 anos de escravidão no País.