Violência policial contra negros no Brasil e no mundo
Enviada em 10/08/2020
No Brasil, é um consenso dizer que a polícia é responsável por um grande número de mortes devido a recorrência dessas tragédias no sul e no norte do país. Nas últimas décadas, as forças policiais tem sido o reprodutor das grandes desigualdades sociais na sua atuação, perpetuando ações diretamente ligadas a ideais racistas e classistas que eram replicados na transcrição de notícias nos jornais. Entretanto com as mudanças de valores e interesse do público brasileiro ao longo dos anos cada vez mais aparentes, tornou-se conveniente para a mídia Brasileira dar visibilidade a temas que antes eram considerados tabus. A relação direta entre violência policial e racismo não é exceção.
Não obstante, no Brasil cerca 75% das vítimas de violência e abuso policial são negras e se encontram nas periferias. Logo, estabelecendo o padrão evidente entre os mártires de tais crimes. Ainda assim, diferente dos grandes jornais como o “Washinton Post” e o “New York Times” que sempre deixaram claro a classe, cor e localidade das vítimas oprimidas seja qual for o crime, no Brasil, onde a questão racial sempre tendeu a ser encoberta, esses fatores permanecem sendo considerados como ativismo ao invés de de uma clara discriminação enraizada na sociedade e consequentemente na instituição responsável por proteger a população.
Um exemplo claro desse cenário se encontra no aumento de mortes durante operações policiais: No estado do Rio de Janeiro, mais de 290 pessoas morreram em dois meses de intervenções das forças de segurança, apesar da diminuição da criminalidade durante a pandemia. Defronte desse quadro, os movimentos anti-racistas brasileiros chamam atenção para a própria situação dos negros no Brasil diante do pouco interesse da sociedade pelas vítimas nas favelas. Dessa forma, é impossível falar sobre violência policial sem citar o racismo quando a maioria das vítimas desse abuso no país ser composta de negros.
Portanto, é necessário que o Estado reconheça atuação em regiões distintas e em relação a diferentes pessoas sobretudo referente ao aspecto de cor e raça. Para diminuir o crescimento da violência policial no Brasil urge que o Governo intervenha no formato e no modelo atual de polícia do ponto de vista estrutural através de mudanças nos métodos de formação dos polícias nas academias de polícia do país por modelos de ensino que abordem o conhecimento da legislação e da jurisprudência, discutam questões relacionadas aos limites do poder e formações que problematizam aspectos relacionados a nossa estrutura racista, misógina, machista, homofóbica e seletiva penalmente. Assim como uma maior mobilização midiática para temas que abordem abusos de poder e injúrias raciais e de classe. Somente assim será possível combater esse cenário que abastece a violência policial.