Violência policial contra negros no Brasil e no mundo

Enviada em 13/08/2020

“Oitenta tiros te lembram que existe pele alva e pele alvo/ Quem disparou usava farda (mais uma vez)/ Quem te acusou nem lá num tava”. O trecho da música Ismália do rapper Emicida faz crítica à violência policial contra negros e à deficiência do sistema judiciário na apuração de crimes dessa natureza. Realidade vivenciada em países como Brasil e EUA. O racismo e a ação das forças policiais para controle da hierarquia social configuram-se como impulsionadores desses problemas.

Para o professor e filósofo Silvio de Almeida, o racismo é uma construção ideológica, histórica e social que se manifesta no campo estrutural, institucional e interpessoal de forma consciente ou inconsciente. Nos processos de colonização, os países do continente americano que sofreram com o ideário de “supremacia branca” europeia, tiveram suas relações de poder político e econômico moldadas de tal forma que a população negra ou não branca ficaram à margem da sociedade. As consequências desse projeto produziram e produzem ainda hoje intensas desigualdades sociais, discriminação racial, violência e etc, por conseguinte, altos índices de homicídio dessas populações, que sob tal ótica, representam uma ameaça ao “status-quo” da sociedade burguesa branca.

Nesse sentido, as forças policiais atuam para defender propriedades privadas e manter o controle da hierarquia social, legitimando o direito de excluir esses indivíduos “ameaçadores” de diversas maneiras. Nota-se, que geralmente os critérios de suspeição policial são um conjunto de “marcadores racializados”, físicos e regionalizados. A letalidade da polícia é de certa forma velada pela naturalização do racismo e pela falta de responsabilização dos policiais envolvidos, muitas vezes absolvidos pelo sistema judiciário. Há pouca transparência e profundidade nas investigações, principalmente quando há ausência de testemunhas. Este cenário está longe de ser alterado, porém, a exposição desses crimes em redes sociais pelos registros de terceiros com celulares, sinalizam para reduzir a impunidade, pois impulsionam protestos anti-racistas e dão voz às vítimas.

Conclui-se diante do exposto, que combater o racismo e a violência policial é uma tarefa complexa, que deve ser mantida a longo prazo e que perpassa pela responsabilização de todos os setores da sociedade. É preciso garantir que indicadores raciais em pesquisas sobre desigualdade, violência e etc, sejam mantidos e aperfeiçoados, visando o aprimoramento e diversificação de políticas anti-racistas. Além disso, o fortalecimento de protestos anti-racistas com apoio da mídia, internet, Estado e sociedade civil, podem garantir a diminuição dos casos de homicídios.