Violência policial contra negros no Brasil e no mundo

Enviada em 15/08/2020

O Brasil é um país multicultural que sofreu influência de povos europeus, africanos e indígenas. Contudo, a parcela negra sofre discriminação e preconceito desde os primórdios até o dias atuais. Decerto, a escravidão levou a um preconceito enraizado em nossa sociedade. Hoje, em pleno século XXI, estes sofrem distinção fruto das mazelas sociais que os órgãos governamentais insistem em esconder. Tal distinção é refletida nas abordagens policiais. De acordo com a Constituição de 1988, todos somos iguais perante a lei. Todavia, os negros sofrem tratamento diferenciado por parte dos policiais, e diversos são os relatos de agressão e até morte desta parcela. Mesmo com tanta violência  policial, o Estado se omite em assegurar à equidade e à segurança dos negros no país.

Em primeira instância, é dever do Estado proteger os indivíduos. No entanto, este é falho. E os policiais que deveriam proteger todo o cidadão sem distinção, se omitem e oferecem abordagens conforme a sua raça, classe social ou região geográfica. Cotidianamente, observamos relatos de agressões policiais em indivíduos negros simplesmente por sua cor de pele. Tal fato reflete nas prisões. Segundo o Balanço Nacional de Monitoramento de Prisões (BNMP), divulgado em 2018, mais da metade dos detentos brasileiros são negros. Desse modo, estes sofrem das mazelas sociais, são violentados e constantemente presos, vítimas da força policial seletiva.

Outrossim, os atos agressivos são comumente banalizados, tratados como atitudes normais. Segundo a socióloga alemã Hannah Arednt, em seu conceito Banalidade do Mal, quando uma atitude ocorre constantemente, esta é vista como normal. Tal conceito se aplica a violência policial, pois tais atos são vistos como normais, e são realizados frequentemente, como se todo negro fosse “bandido”. Esse pensamento se configura no dito popular que diz “Preto parado é suspeito, e preto correndo é ladrão”, tal dito e totalmente preconceituoso e transpassa a visão do negro como corrupto e passível de punição. Destarte, esse pensamento permeia o mundo policial acarretando violência e mortes negras.

Portanto, políticas públicas devem ser tomadas a fim de reduzir os casos de violência policial contra os negros. Para isso, faz-se necessário que o Ministério da Justiça realize a criação de Delegacias de amparo a pessoa negra, tais locais receberam as denúncias de agressão e investigaram os atos, caso se verifique os agentes transgressores, estes deveram ser afastados da força policial. Por meio destas delegacias, os indivíduos se sentiram seguros em denunciar, e os crimes serão verificados e punidos. Dessa forma, a violência contra os negros não permaneceram impunes e tais atos serão evitados, possibilitando que todos os cidadão sejam iguais perante a lei. Afinal, as vidas negras importam, e o Estado deve garantir a segurança de todos, sem distinção racial e social.