Violência policial contra negros no Brasil e no mundo
Enviada em 15/08/2020
De acordo com a professora da Escola de Serviço Social da Universidade de Chicago, Yanilda Maria Gonzales, nos Estados Unidos os negros representam 13% da população, entretanto são 25% das vítimas assassinadas pela polícia, enquanto no Brasil, a pessoas negras compõem mais da metade da população, e ainda assim representam 75% das vítimas da brutalidade policial. Dessa forma, percebe-se que a violência policial contra negros no Brasil e no mundo é crescente e preocupante. Nesse sentido, é observada uma ineficiência legislativa para com a agressividade da polícia contra negros, negligenciada devido ao fácil esquecimento dessa problemática pela população.
Em primeiro lugar, é preciso salientar a falta de comprometimento da política governamental contra o racismo presente em meio a polícia. Segundo Aristóteles: “A política tem como função preservar o afeto entre as pessoas de uma sociedade”. Nesse sentido, pode-se afirmar que o Estado ao não conceder a devida atenção ao problema atribui a polícia uma maior autonomia a qual dificulta a resolução do problema e a punição de seus responsáveis.
Em segundo lugar, vale acrescentar que a população, não apenas brasileira, sofre com um rápido esquecimento dessa violência contínua contra as pessoas negras. Nesse âmbito, José Saramago em sua obra “Ensaio sobre Cegueira”, caracteriza a alienação da sociedade frente às demais realidades sociais. Assim, é possível afirmar que, apesar de ser realizada uma mobilização temporária em torno da hostilidade policial contra negros, também é possível observar o abandono dessa causa devido a alienação inserida pelos veículos de comunicação e pela mídia, os quais desviam a atenção do público desse problema.
Diante isso, é necessário uma tomada de medidas para o entrave abordado. Posto isso, é preciso que as grandes Mídias divulguem o projeto da ONU para se criar uma comissão de inquérito para investigar a brutalidade policial nos EUA e no mundo, a fim de formar uma pressão populacional sobre o governo brasileiro para apoiar o projeto. Ademais, para impedir que casos de violência policial contra negros no Brasil sejam apagados da memória nacional, instituições públicas e privadas deveriam realizar palestras e debates a respeito de casos voltados à essa problemática, como a do João Pedro, adolescente negro de 14 anos o qual foi vítima da agressividade policial no Rio de Janeiro. Dessa maneira, a violência policial contra negros no mundo, e principalmente no Brasil, será mais notada e questionada.