Violência policial contra negros no Brasil e no mundo
Enviada em 25/08/2020
Brás Cubas, em suas memórias póstumas, certa vez disse que não teve filhos para não transmitir a nenhuma criatura o legado da miséria humana. Tal afirmação torna-se assertiva no que refere-se ao racismo, enraizado na sociedade, e por conseguinte na violência policial contra os negros. Nesse sentido, observar as causas e consequências desse impasse são fundamentais para resolvê-lo.
É preciso analisar, antes de tudo, as origens desse crescente preconceito racial. Segundo o sociólogo Pierre Bourdieu, tem-se ligado a herança histórico cultural de um povo a teoria do “habitus” na qual diz que as estruturas sociais são incorporadas durante o processo de socialização, fazendo com que os comportamentos característicos de uma determinada época sejam naturalizados pela sociedade e, consequentemente, reproduzidos ao longo de gerações. Nessa perspectiva, percebe-se que as raízes históricas do preconceito racial foram incorporadas desde a escravidão, que apesar de ter sido abolida em 1888, tem vestígios que prevalecem, ainda que de forma oculta, nos dias atuais.
Consequentemente, casos de agressões físicas, verbais e a violência policial crescem exponencialmente no Brasil e no mundo. De acordo com a Constituição Federal de 1988, todos são iguais perante a lei,sem distinção de sexo, raça, trabalho, credo religioso e convicções políticas. Entretanto, nota-se a forma desigual segundo a qual negros e brancos são tratados, sobretudo por policiais. Isso porque, as abordagens e os tratamentos feitos por eles variam de acordo com a cor e a classe social dos indivíduos. Prova disso são dados do jornal extra que mostram que 75% dos mortos em ações policiais no Brasil são negros e residentes em periferias.
Fica claro, portanto, a urgência em resolver a problemática. Primeiramente, é preciso que o Governo Federal, em parceria com o Ministério da Educação, busque desconstruir, por meio de palestras e aulas interativas, o preconceito racial nas próximas gerações e ressalte a importância de uma maior igualdade racial no Brasil. Ademais, o Ministério da Justiça deve capacitar policiais, por meio de cursos profissionalizantes, a tornar-se mais imparciais e a respeitar os preceitos constitucionais de igualdade, punindo exemplarmente aqueles que desrespeitem tais leis. Só assim, o problema será resolvido e o Brasil deixará um legado do qual Brás Cubas iria se orgulhar.