Violência policial contra negros no Brasil e no mundo
Enviada em 17/08/2020
Em seu livro “Vidas Secas”, o autor brasileiro Graciliano Ramos aborda a temática do abuso de poder, executado pelo personagem “soldado amarelo” sobre o protagonista Fabiano. Fora da ficção, a violência policial persiste, principalmente, contra os negros no Brasil e no mundo. Nesse contexto, é lamentável tal forma de repressão, uma vez que há raízes históricas, preconceitos e ocorre a perpetuação da intolerância contra a minoria de cor.
De fato, o ano de 2020 será lembrado na história devido aos protestos em favor do jovem negro assassinado George Floyd. Analogamente ao personagem Fabiano (supracitado), que, mesmo estando quieto, foi injustamente alvo de agressão do “soldado amarelo”, Floyd, um civil inocente, foi asfixiado por um policial branco, sem piedade. Dessa maneira, a expressão " Eu não consigo respirar", dita pelo homem afrodescendente, foi usada como lema nas manifestações contra a violência da força policial em diversos países, como Estados Unidos, Inglaterra, França e Brasil. Nesse sentido, é indubitável a carga preconceituosa nas ações desse oficial, que não é o único a cometer tais crimes. Segundo o site “G1.Globo” pretos e pardos representam 78% dos mortos pela polícia no na República brasileira. Por isso, o caso de Floyd é um marco para a história da luta dos direitos raciais, contudo, não é novidade o assassinato de pessoas de pele escura, especialmente, nas Américas.
Ademais, a origem dessa problemática advém dos preconceitos enraizados na sociedade. nos séculos XV, XVI e XVII, os povos afros, vindos escravizados da África, eram considerados inferiores e maltratados. Nos períodos seguintes, mesmo com as alforrias e leis que libertavam os negros, o cenário permanecia o mesmo e a população de cor sofria com a discriminação, ficando às margens do corpo social.Então, no final do século XIX, surgiu nos Estados Unidos, as chamadas “Leis Jim Crow”, as quais impunham a segregação racial, a fim de exemplificação, havia banheiros, bebedouros e transportes diferentes para brancos e para pessoas de pele escura. Diante dessas medidas revoltantes, muitos indivíduos protestaram e com algum sucesso readquiriram alguns direitos, porém é perverso lutar novamente por direitos que já estão registrados, mas não são cumpridos. Assim, fica evidente a falha do Estado em promover medidas que garantam a igualdade entre os cidadãos.
Portanto, é mister que a Academia de Polícia instrua melhor seus oficiais, com treinamento especializado,principalmente, nas questões de abordagem das pessoas, a fim de que não haja julgamento parcial ou racial. Por exemplo, ao invés do guarda já com brutalidade, enquadrar um afrodescendente na parede, ele explane o porquê de estar interrogando o indivíduo. Com isso, espera-se a redução do número de vítimas acusadas injustamente e a igualdade impere em nome de Floyd.