Violência policial contra negros no Brasil e no mundo

Enviada em 18/08/2020

Grada Kilomba disse: “Racismo tem a ver não só com preconceito, mas também com a prática do preconceito, que só pode ser exercitada através do poder”. Hodiernamente, várias circunstâncias de violência policial contra negros no Brasil e no mundo chamaram a atenção, sendo necessário discutir sobre esse tema. Nessa perspectiva, convém falar acerca do medo que a população tem dos policiais e indagar sobre o motivo da população negra ser a mais atingida.

Em primeiro plano, uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas afirmou que 63% da população não confia nos policiais, chegando a 77% para a população com renda inferior a dois salários. Isso se deve ao fato de ser comum nos noticiários, abordagens fracassadas em que a polícia usa práticas de tortura para aterrorizar cidadãos. Consequentemente, percebe-se o pânico dos moradores que não colaboram com o trabalho da polícia.

Em segunda análise, conforme dados divulgados pelo UOL, 75% das vítimas brasileiras assassinadas pela polícia são negras. Some-se a isto o fato das abordagens variarem dependendo do bairro em que ocorrem. Casos como o morador do Alphaville em que um morador humilha um policial e este permanece calado. Contrastando com a brutalidade em que ocorrem nas periferias, como o caso do policial que pisou no pescoço de uma mulher que já estava imobilizada. Isso é intolerável e deve ser combatido imediatamente.

Fica evidente, portanto, a urgência de combater a violência policial contra negros. Para que isso ocorra, é necessário que o Ministério da Segurança Pública aperfeiçoe treinamentos para a polícia e exija que as secretarias de segurança estaduais capacitem seus policiais. Além disso, é necessário incluir nessa capacitação, disciplinas de psicologia e sociologia, a fim de se ter o conhecimento necessário das dinâmicas sociais para saberem lidar com situações cotidianas. Com isso, este preparo irá dirimir os preconceitos e a população voltará a ter confiança na polícia.