Violência policial contra negros no Brasil e no mundo
Enviada em 30/11/2020
Na música “Todo camburão tem um pouco de navio negreiro” de O Rappa, o artista expressa a realidade de um negro contemporâneo, comparando as atividades escravocratas do século XVIII com a violência policial da atualidade, explicitando as similaridades racistas entre ambos. Nesse contexto, é visto que a violência policial contra negros no Brasil se dá pelo racismo estrutural histórico do país, influenciado pelo comportamento das grandes potências, que refletem a predominância de ideais segregacionistas nas instituições de segurança pública.
Primeiramente, é preciso analisar o histórico de violência policial contra negros no Brasil. É fato que, com o Abolicionismo em 1889, a população negra conquistou um de seus grandes direitos: a liberdade. No entanto, percebe-se que houve a adoção de uma visão marginalizada dos negros, que não receberam nenhum auxilio do governo para se integrar, de maneira digna, nas comunidades e, por consequência, se estabeleceram à margem da sociedade. Essa marginalização foi refletida no comportamento de policiais da época, que prendiam negros pelos mínimos dos crimes, forçando-os ao trabalho carcerário. E esse comportamento prevalece até os dias atuais, com 61% da população carcerária composta por negros e pardos, de acordo com o índice de 2018. Vê-se, portanto, o racismo contemporâneo.
Ademais, é pertinente estabelecer como a influência estrangeira das grandes potências interfere na prevalência de ideais segregacionistas. Vê-se, por exemplo, o caso de George Floyd, um cidadão negro morto por policias em Minnesota, EUA. Sua morte refletiu o racismo enraizado no sistema de segurança pública americano e incentivou diversas manifestações contra a violência policial contra negros ao redor do mundo. E no Brasil isso não foi diferente, uma vez que a discussão sobre o racismo brasileiro ganhou forças nas redes sociais e deu visibilidade aos casos do país. Nota-se, dessa forma, como a influência estrangeira interfere nessa questão, pois sem a transparência do exemplo americano, os casos de violência contra os negros no Brasil continuariam esquecidos.
Em vista disso, é necessário que o governo federal, em parceria com o Ministério Público, incremente uma reforma estrutural nas instituições de segurança pública, que desconstrua e desencoraje atitudes racistas entre policiais, por meio da transparência dos métodos de abordagem policial e da inclusão de câmeras nos uniformes. Deverá, também, instituir um órgão que analise e puna, efetivamente, crimes cometidos por policias, de modo a garantir justiça às vítimas de violência policial e promover, enfim, a igualdade perante a lei.