Violência policial contra negros no Brasil e no mundo

Enviada em 27/08/2020

A brutalidade do uso excessivo da força policial contra negros é corriqueira nos países do continente americano, sobretudo nos Estados Unidos e no Brasil. Diante de casos que chocaram ambos os países, como o recente ocorrido com o americano George Floyd, que foi asfixiado até a morte por um policial branco e o ocorrido com o jovem João Pedro, na cidade de São Gonçalo, que foi alvejado por um tiro em sua residência. Podemos observar que, diante da população carcerária do Brasil e dos Estados Unidos, existe um padrão racial para os prisioneiros, em sua maioria de cor negra. Todavia, cabe destacar que o contexto histórico de ambos os países influencia nesse tipo de política de segregação. Os EUA e o Brasil, em sua história, enfrentaram períodos escravocratas, onde negros, além de escravizados, sofriam diversos tipos de violência física e psicológica. Nos Estados Unidos, a maioria da população é de cor branca, o que faz os negros serem a minoria. No Brasil, ocorre o oposto, a maior parte da população é composta por pessoas de cor negra e parda, colocando assim, os negros em posição de minoria em quesitos sociais e históricos, porém maioria em questão numérica. Os ordenamentos jurídicos de ambos os países trouxeram políticas de segregação, mesmo após o período de escravidão, o que pode explicar o contexto da violência policial nos dias atuais. De acordo com o Infopen, o sistema de informações estatísticas do sistema penitenciário brasileiro criado pelo Ministério da Justiça, o Brasil possui a quarta maior população carcerária do mundo. São aproximadamente 700 mil presos sem com uma infraestrutura incapaz de suportar esse número. O que ocorre na realidade são celas superlotadas, alimentação precária e violência. Situação que torna o sistema carcerário um grave problema social e de segurança pública. É visível, também, que a política carcerária do Brasil se volta contra a população negra e pobre. Dados mostram que, no ano de 2018, entre os presos, 61,7% são pretos ou pardos. É importante lembrar que 53,63% da população brasileira têm essa característica. Os brancos, de modo inverso, são 37,22% dos presos, enquanto são 45,48% na população em geral. E, ainda, de acordo com o Departamento Penitenciário Nacional (Depen), em 2014, 75% dos encarcerados têm até o ensino fundamental completo, um indicador de baixa renda.