Violência policial contra negros no Brasil e no mundo

Enviada em 24/08/2020

Na obra ‘‘Utopia’’, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a violência policial contra os negros no Brasil apresenta barreiras as quais dificultam a concretização dos planos de More. Sob tal ótica, há dois fatores que não podem ser negligenciados,  a negligência estatal e o silenciamento social.

Em primeiro lugar, convém ressaltar que tal problemática deve-se às falhas na questão legal e a sua aplicação. Embora a Constituição Federal de 1988 assegure o direito à dignidade de vida, o respeito e o bem-estar dos negros, a impunidade, no tocante à violência contra os pretos no país, ratifica o contrário. Como consequência, são os dados da Secretaria dos Direitos Humanos afirmarem que cerca de 25,99% dos negros foram assassinados de forma brutal pelos os policiais, o que demonstra, dessa maneira, a inoperância estatal de não assegurar os privilégios da população negra. Logo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal.

Em segundo lugar, nota-se que o silenciamento social é a causa expressa do impasse. Sob esse viés, a escritora brasileira Martha Medeiros discorre, em umas das suas obras, sobre a falta de debate social, sustentando que o indivíduo silencia aquilo que ele não quer que venha à tona. Dessa forma, é notória a relação da afirmação da autora e a questão da crueldade policial contra os afrodescendentes, já que a mídia, como agente formador de opiniões, ainda que aborde a temática, muitas vezes é instigada de maneira superficial e sem continuidade, visto que, segundo dados divulgados pela Organização  das Nações Unidas, mais de 16% dos jovens negros são agredidos fisicamente por policiais. Assim, trazer à pauta esse mote e debatê-lo amplamente aumentaria a chance de atuação nele.

Portanto, medidas são necessárias para mudar o quadro atual. Destarte, para a conscientização da população brasileira a respeito da problemática, é preciso que as escolas, com apoio das prefeituras e das mídias, promovam um espaço para rodas e discussões sobre o conteúdo no ambiente escolar, por meio de palestras. Tais eventos podem ocorrer no período extraclasse, contando com a presença de professores e de especialistas no assunto, com o intuito de combater o silenciamento social e a omissão estatal e de que as pessoas compreendam a matéria relativa ao enunciado. Com isso, a coletividade alcançaria a ‘‘Utopia’’ de More.