Violência policial contra negros no Brasil e no mundo
Enviada em 25/08/2020
Em março de 1993, na cidade de Los Angeles, o taxista Rodney King foi parado pela polícia civil por dirigir em alta velocidade no meio de um cruzamento e, consequentemente, foi alvo de agressões físicas pelos agentes sem possibilidade de defesa. Tal como em Los Angeles, em novembro de 2015, no Rio de Janeiro, cinco jovens, que saíram de suas casas para comemorar o primeiro salário, foram mortos dentro do carro por tiros após uma abordagem policial. Com isso, a partir desses fatos, afirma-se que a violência policial nos dois casos apresentados origina-se não só de uma naturalização do autoritarismo, mas também no racismo persistente que fora construído historicamente em ambos os países.
Em primeiro plano, é válido ressaltar que é dever do Estado garantir a segurança pública dos cidadãos sob vigilância de órgãos governamentais. Esse conceito encontra-se na obra “Leviatã”, do teórico político Thomas Hobbes, o qual declara que uma nação deveria ser a instituição fundamental para regular as relações humanas. No entanto, percebe-se que o do uso abusivo da força física pelos órgãos estatais é um dado alarmante e constantemente denunciado nas favelas brasileiras. Paralelo a isso, dessa maneira, informações do Observatório de Segurança Pública do Rio de Janeiro confirmam que, em Abril de 2019, o número de assassinatos ocorridos dentro das comunidades aumentou em 57,9%, com o registro de 30 mortes.
Em contrapartida, infere-se que, na contemporaneidade, a prática do racismo como fator para esse tipo de comportamento é plausível. Como argumenta o filósofo Achille Mbembé, em “Crítica da Razão Negra”, o nome “negro” foi inventado para significar exclusão, sendo, portanto, um limite sempre conjurado e abominado. Nesse sentido, surge o complexo de inferioridade a esses indivíduos que contribui para a marginalização social. Em consequência disso, portanto, denota-se que a estigmatização a que os negros têm sido submetidos colabora para a associação dessa minoria à criminalização, o que fomenta a opressão policial vista nos episódios de Rodney King e dos cinco jovens do Rio de Janeiro.
Logo, afirma-se que a atribuição de uma identidade negativa à população afrodescendente representa um obstáculo para a efetivação da cidadania dessa minoria. Posto isso, com vistas a desconstruir a herança histórico-cultural de discriminação racial, o Ministério da Educação deve criar, em parceria com redes de televisão, campanhas publicitárias que serão exibidas aos telespectadores acerca do difícil convívio da polícia com os moradores das comunidades. Essa medida será eficaz para promover a empatia e a garantia da dignidade e segurança que esses cidadãos merecem há muito tempo.