Violência policial contra negros no Brasil e no mundo

Enviada em 08/09/2020

Na música “Faroeste Caboclo”, Renato Russo narra a história de João de Santo Cristo, um jovem que, quando criança, vê o pai ser morto por um soldado e, em revolta ao acontecido, se torna um dos maiores traficantes de drogas de sua cidade. Analogamente, na vida real, a violência policial, sobretudo contra pessoas negras, tem se mostrado um problema preocupante devido ao alto número de agressões e mortes em decorrência da cor das vítimas. Isso ocorre em virtude da existência de preconceitos enraizados na sociedade brasileira, bem como a omissão dos governantes sobre a temática.

Primeiramente, vale ressaltar que o Brasil é, inegavelmente, um país dotado de racismo e desigualdades sociais, fato que reflete no comportamento de alguns militares. Sobre isso, Yanilda Gonzáles, professora e pesquisadora da Universidade de Chicago, afirma que somente em 2017 cerca de 76% de todos os homicídios no Brasil tiveram vítimas afro-brasileiras, além disso, entre 2007 e 2017 mais de 400.000 negros foram mortos por violência policial ou discriminação racial. Diante disso, é evidente que a existência de preconceitos pode culminar na morte de pessoal inocentes, configurando-se como um problema social.

Outrossim, a displicência do governo brasileiro estimula condutas discriminatórias contra pessoas negras. Prova disso é o fato de o Brasil ter se posicionado contra a resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) que condenou o racismo e a violência policial, mesmo diante de diversos protestos, que ocorriam simultaneamente à votação, pela morte de um adolescente de 14 anos durante uma operação militar no Complexo do Salgueiro na cidade do Rio de Janeiro. Tal acontecido, comprova o descaso político à causa dos grupos raciais brasileiros, evidenciando a necessidade urgente de reformas sociopolíticas.

Infere-se, portanto, que a discriminação racial e as atitudes agressivas contra esse grupo são problemas que precisam ser discutidos e eliminados. Logo, cabe ao Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) promover ações de combate ao racismo estrutural. Para isso, devem ser realizadas campanhas publicitárias nas mídias sociais abordando a temática, além de palestras e debates nas escolas e centros de treinamento militar, visando desconstruir os preconceitos existentes e cessar a violência social. Dessa forma, garante-se que histórias como a de João de Santo Cristo não se repetirão na sociedade brasileira.