Violência policial contra negros no Brasil e no mundo

Enviada em 01/09/2020

“S.W.A.T” é uma série americana que retrata o trabalho policial na cidade de “Los Angeles”. Nesse sentido, em um de seus episódios, um tenente atira em um garoto negro por pressupor que ele se enquadrava no estereótipo de traficante. Fora da ficção, a tragédia mostrada na obra é um fato no Brasil e no mundo, visto que, estatísticas evidenciam que constantemente pessoas pretas são subjugadas por forças policiais. Desse modo, um contexto-histórico escravocrata e a desigualdade social apresentam-se como desafios no combate à violência contra negros.

Em primeiro lugar, é importante destacar que a escravidão que perdurou mundialmente durante séculos afeta diretamente a sociedade nos dias atuais. Em resumo, escravismo foi uma prática exploratória em que afrodescendentes eram legalmente definidos como mercadoria. Embora tal ato tenha sido abolido no Brasil em 1888, não lhes foram concedidos cidadania igualitária, com efeito, instaurou-se na população uma exclusão social e, por conseguinte, uma associação de negros com a criminalidade. Como consequência, atualmente, segundo dados publicados em 2018 pelo sítio Estadão, 70% dos mortos em ações policiais eram pretos e pardos e, em sua maioria, inocentes. Dessa forma, fica evidente que a cor da pele é um fator determinante na tomada de decisão por policiais.

Ademais, a desigualdade social contribui para o aumento da violência racial. Isso porque, após a promulgação da Lei Áurea, não houve apoio estatal voltado para reinserção de negros na população. Assim, sem condições e recursos financeiros mínimos inerentes à sobrevivência, não estavam qualificados para pleitear direitos em uma sociedade de segregação. Nesse viés, 132 anos após a abolição, ainda são negligenciados pelas políticas públicas. Dados publicados em 2019 pelo sítio Correio Braziliense mostram que 8 em cada 10 analfabetos são pretos. Como resultado, há uma alta taxa de desemprego e baixo acesso à moradia, assim sendo, vivem em favelas e sofrem com a imputação de crimes que lhes foram atribuídos baseados em traços fenotípicos.

Portanto, visando sanar a violência policial contra pretos e pardos, faz-se necessário que o Governo Federal crie, por meio de verbas públicas, políticas estruturais que viabilizem o acesso da população negra à educação e garantam que terão iguais condições de competir no mercado de trabalho. Dessa forma, diminuirá as taxas de analfabetismo e desemprego e poderão ocupar diferentes níveis hierárquicos sociais, sem que haja discriminação por cor da pele. Somente assim, será possível combater a marginalização e destruir a imagem associada do negro ao crime e, consequentemente, impedir que a polícia tome decisões baseadas em estereótipos. Feito isso, a tragédia vivenciada na série deixarão de ser realidade no mundo contemporâneo.