Violência policial contra negros no Brasil e no mundo

Enviada em 15/09/2020

Desde o colonialismo o corpo negro vem sendo colocado como um ser humano de segunda classe, quiçá humano em alguns momentos históricos. Essa mentalidade causa danos até hoje e se reflete gravemente na violência policial contra negros no mundo todo. Tal realidade se fundamenta numa hierarquia social racista impostar secularmente. Dois fatores que se destacam para isso são: a mídia que cria uma narrativa de apagamento do viés racista nas ações policiais e uma educação acrítica que não debate opressão racial.

Dessa forma, é importante perceber que a mídia negacionista perante o racismo, somada à uma hierarquização social racista agrava a brutalidade policial contra negros. Visto que na criação de um imagético coletivo, fomentado pelas elites o indivíduo negro nunca é colocado como inocente, isso pode ser observado no fato de até a morte de uma criança ser noticiada com ênfase na vítima ao dizer ‘‘criança morre em operação policial’’, mas nunca ‘‘policial mata criança negra’’. Esse pensamento encontra eco no de Karl Marx para quem ‘‘As ideias dominantes numa época nunca passaram das ideias da classe dominante.’’ , pois a criação dessas narrativas é pensada na ideologia de uma elite de passado escravocrata que detém os meios de produção até hoje e patrocina as empresas de comunicação.

Além disso, o fato do espaço escolar ter se tornado acrítico, juntamente do tecido social racista fundamenta a perpetuação da ação policial violenta contra o afrodescendente. Pois o projeto mercadológico atual da educação é extremamente conteudista e focado no resultado do vestibular, negligenciando completamente a função social da escola, deixando-a alienada do debate racial, assim estagnando a sociedade no que tange o tema. Essa conjuntura vai contra o pensamento de Nelson Mandela para quem ‘‘A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo.’’ , pois a separação da escola do debate de temas sociais, como o racismo, cria entraves para a mudança do corpo social.

Portanto, é inconteste a percepção de uma hierarquia racista na sociedade fundamentar a ação policial brutal contra afrodescendentes. Para a amenização dessa problemática urge a necessidade do Governo Federal criar um plano nacional de conscientização contra o racismo, que juntamente com o Ministério da Educação insira o debate racial no currículo nacional, de forma que os colégio seriam obrigados a oferecer palestras com especialistas do assunto e da cultura negra, com a finalidade de tentar destruir esse imaginário coletivo racista criado desde o Brasil Colônia.