Violência policial contra negros no Brasil e no mundo

Enviada em 11/09/2020

É possível, por intermédio da linguagem simples e coloquial do poema “No meio do caminho”, de Carlos Drummond, fazer uma analogia a respeito da violência policial contra negros no Brasil. Acerca de tal análise, pode-se ligar a pedra, presente na obra drummondiana, à crescente repercussão e manifestação da problemática no cotidiano dos brasileiros. Ainda, constata-se que o revés está atrelado não somente à inoperância estatal, mas também à necessidade de investimentos na educação.

De início, pontua-se o desleixo governamental como precursor do agravamento da situação. No livro “Política”, Aristóteles defende que a política serve para garantir o bem-estar dos cidadãos. Porém, o descaso das autoridades públicas, em relação à adesão de medidas preventivas e punitivas contra a violência policial, sobretudo aquela direcionada aos negros, fomenta a atual inadimplência do Estado em solucionar essa mazela social. Porquanto, os dados divulgados pelo portal de notícias G1, os quais revelam que apenas 15, de um total de 27 estados, disponibilizaram, no ano de 2018, dados de raça/cor dos mortos por suas polícias, exemplificam o desdém político-administrativo, visto que esses dados estatísticos serviriam de embasamento para criação de políticas públicas. Dessa forma, verifica-se a necessidade de mudanças no agir governamental para que o cenário em questão se modifique.

Ainda assim, o Estado, ao não fazer da educação um dos pilares de investimento contribui para acentuação da problemática. Ocupando a sétima posição no ranking de economia mundial, consoante à pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais (IPRI), seria racional acreditar que o Brasil possui um sistema de educação pública eficiente. A realidade, entretanto, é justamente o oposto e o resultado desse contraste é observado nas mais variadas adversidades perpetradas e difundias na sociedade, questões como racismo e a violência brutal da polícia contra pessoas negras ilustram o triste cenário social e cultural do país. Diante disso, medidas devem ser adotadas e aplicadas ainda na formação primária, com o intuito de reverter esse mal, pois consoante Nelson Mandela a educação é a arma mais poderosa que pode ser usada para mudar o mundo.

Logo, para que o triunfo sobre a violência policial contra negros no Brasil seja consumado, urge que o Ministério da Educação, por meio dos recursos enviados pelo Estado, promova a implementação do estudo social à grade curricular fundamental, de modo a desenvolver nas crianças o ideal de igualdade. Ademais, essa ação deverá ser posta em prática mediante a inserção de psicólogos ao corpo escolar, com o fito de estimular a conversação e garantir o completo desenvolvimento da criança. Ainda assim, câmeras de filmagem deverão ser adicionadas ao uniforme padrão da PM, com o objetivo constranger ações indecorosas de alguns policiais. Dessarte, a pedra poderá ser removida do caminho social.