Violência policial contra negros no Brasil e no mundo
Enviada em 11/09/2020
O filme “Carandiru” discorre sobre a precariedade do sistema carcerário brasileiro e retrata o massacre de centenas de presidiários em razão da opressão policial na maior prisão da América Latina. Fora da ficção, a temática abordada na obra assemelha-se à realidade, visto que a violência exercida pela polícia é persistente no cotidiano e atinge indivíduos diariamente. Portanto, em razão do racismo estrutural e da impunidade, os negros são as principais vítimas desse comportamento, o que torna mister expor e viabilizar medidas para mitigar a negligência do Poder Público em relação à problemática.
A princípio, é necessário salientar que a escravidão marcada pela exploração e pelo ódio contribuiu para a ocorrência de fatos e ideais vigentes na contemporaneidade, como a constante inferiorização dos descendentes africanos e o prejulgamento. Logo,é possível afirmar que o pensamento de superioridade definido pela etnia impede a harmonia entre diferentes grupos. Para o sociólogo Emile Durkheim, por exemplo, o pensamento coletivo constitui as relações do corpo social, o que torna mais suscetível a formação de um cenário de imposição através de atos violentos, principalmente oriundos de autoridades.
Ademais, é imprescindível ressaltar que a cidadania e a justiça social são ineficientes para a população negra, uma vez que mesmo com a existência do artigo 144 da Constituição Federal, que garante segurança pública por meio da ação de agentes da lei independente de raça ou cor, muitos profissionais são indiciados por ofender a integridade de outrem. Por consequência, devido à má formação e ao decadente treinamento policial, percebe-se a ocorrência de diversos casos de violência no Brasil e no mundo, como o de João Pedro, um garoto de 14 anos que foi assassinado após sua casa ser alvejada por tiros de fuzis disparados por policiais. Assim, tendo em vista que 75% das vítimas são pretas, é notável que a polícia não exerce um tratamento igualitário na sociedade.
Destarte, para desconstruir a herança histórico-cultural de discriminação racial, o Ministério da Educação em parceria com a mídia deve criar campanhas publicitárias que promovam a igualdade e estimulem as pessoas a não associarem os negros com a criminalidade, conscientizando os telespectadores sobre as consequências do preconceito. Ainda, o Governo Federal deve exercer uma reforma mais rigorosa nos cursos preparatórios para a polícia, incluindo um ensino mais humanitário que envolva o estudo da cultura afro-africana, assim como o conhecimento aprofundado dos direitos humanos, punindo os profissionais que desobedecerem as leis. Desse modo, o ideal antirracista estará presente na formação dos cidadãos e evitará que situações como as citadas voltem a ocorrer.