Violência policial contra negros no Brasil e no mundo
Enviada em 20/10/2020
A violência contra negros é algo que está presente em países colonizados desde suas origens, com a escravidão e o descaso dos governantes em criar políticas de inclusão quando essa foi abolida, o que evidentemente, trouxe consequências vistas diariamente no mundo contemporâneo que podem ser exemplificadas no desleixo da polícia com vidas negras e na impunidade daqueles que as tiram injustamente. É evidente que esse problema acompanha pessoas racializadas a séculos e o fato de ainda ser recorrente é a prova de que mesmo após tanto tempo o governo está longe de ser imparcial.
Embora os números só cresçam, não parece haver interesse das autoridades em acabar com essa guerra presente diariamente em periferias. Segundo uma pesquisa da UOL, somente no estado do Rio de Janeiro 9 crianças e jovens pretos foram mortos por bala perdida da polícia militar no 1º semestre de 2020. Adicionalmente, a morte de George Floyd, um caso acompanhado pelo mundo inteiro, onde um policial branco se ajoelhou no pescoço de um homem negro e desarmado, após ele já está algemado e imobilizado no chão, repetindo “eu não consigo respirar”, até matá-lo. Esses são exemplos do descaso com a vida de pessoas racializadas que mesmo formando 56,2% da população brasileira são tratadas como minoria a ter que se adequar ao mundo dos brancos.
Apesar de todos os protestos antirracistas que aconteceram nos Estados Unidos após a morte de Floyd, o ex-agente que manteve o joelho em seu pescoço por 9 minutos, Derek Chauvin, foi solto após pagar fiança de 1 milhão de dólares. No Brasil, a violência policial já está naturalizada, e apesar dessa ser a mais letal do mundo, nada é feito para mudar, o que molda a imagem da instituição que foi criada para proteger a população, em algo que abraça o racismo estrutural impedindo que aqueles que o praticam sejam punidos.
Em conclusão, o problema da violência policial contra negros é o mais recorrente e menos punido, sendo necessário uma diferenciação no código penal. Assim como a lei Maria da Penha difere assassinato de mulheres por motivos diversos de homicídio por situações domésticas, a lei que deve ser criada distinguiria mortes de negros pela polícia por acidentes na abordagem, de casos em que inocentes vieram a óbito por descuido e irresponsabilidade do agente que estava comandando a operação. Essa lei deve vim como um meio para diminuir a impunidade daqueles que carregam uma pistola e agem como se racializados carregassem um alvo nas costas, e deve ser criada pelo poder legislativo sendo muito bem fiscalizada pelo executivo, além da realização de testes psicológicos em policiais pelo menos a cada ano como condição para o porte de arma de fogo, medida que deveria ser adotada internacionalmente.