Violência policial contra negros no Brasil e no mundo
Enviada em 16/09/2020
Violência policial contra negros: racismo institucional
A constituição de 1988, conhecida como a Constituição Cidadã, transformou o racismo em um crime constitucional no Brasil. Esse, dentre outros passos foram de extrema importância para uma reparação histórica e busca pela igualdade racial. Em contrapartida, a população negra ainda sofre racismo de forma brutal de quem, em tese, deveria defendê-los. A violência policial contra negros acontece com grande frequência, demonstrando um cenário desumano na estrutura da instituição, o que acaba sendo, no Brasil, banalizado e tratado com normalidade, além da impunidade presente no país.
A série Brooklyn Nine-Nine mostra em um de seus episódios o personagem negro Terry sendo atacado de forma agressiva por um policial apenas por estar na rua à noite, relatando a realidade do racismo estrutural por parte da polícia. Não diferente da série, a população negra têm sofrido com a violência policial de forma bruta. O caso de George Floyd, jovem negro assassinado de forma extremamente violenta por um policial nos Estados Unidos, mobilizou milhares de pessoas e voltou os olhares do mundo para essa pauta. No Brasil, o caso estadunidense chamou atenção para a a questão brasileira que está “naturalizada” e enraizada na instituição policial, a qual recebe treinamento baseado na agressividade, e isso acaba refletindo principalmente na população negra devido ao racismo estrutural.
Além disso, a banalização da violência policial contra negros no Brasil está relacionada à despreocupação dos policiais que cometem esse crime com as consequências, revelando a impunidade presente do país. O que comprova tal despreocupação é que muitos dos atos de violência policial acontecem em plena luz do dia e em locais públicos, como o caso de um vídeo que causou espanto na internet em julho de 2020, em São Paulo, mostrando um policial militar usando da força bruta e violenta com uma mulher negra, pisando nela para “mobilização”, o que evidencia que os policiais não temem os julgamentos de suas ações agressivas, principalmente contra a população negra, vítima de marginalização.
Percebe-se, portanto que há na instituição policial um racismo sistêmico e estrutural. Tendo em vista esse cenário, são necessárias medidas governamentais no que diz respeito a estrutura da formação dos policiais, para que o tratamento de questões sociais sejam tão importantes quanto um treinamento físico. Isso pode ser feito através da implementação de palestras e projetos antirracistas no período de formação policial. Além disso, espera-se da Justiça Militar uma atenção maior à essa questão, tratando com maior rigorosidade os crimes policiais de viés racista.