Violência policial contra negros no Brasil e no mundo
Enviada em 19/09/2020
Na obra cinematográfica “O ódio que você semeia”, a protagonista Starr Carte, que é estudante de uma escola predominantemente frequentada por pessoas brancas, transita entre as realidades da periferia e de um bairro nobre, no entanto, ao ver seu amigo sendo agredido por um policial, a jovem se engaja em atos prol à igualdade racial. De modo análogo a história fictícia, nota- se que na contemporaneidade a hostilidade da policia é presente, sobretudo contra negros, evidenciando uma reprodução preconceituosa. Logo, é lícito afirmar que o racismo histórico associado ao autoritarismo militar são fatores que distanciam esse entrave de uma solução.
Em primeiro lugar, é nítido que o período escravista de países como o Brasil e Estados Unidos – onde população negra sofria diversos abusos físicos e psicológicos - possuem forte influencia sobre a visão apática de determinada parcela dos cidadãos. Quanto a esse fato, segundo o filósofo francês Pierre de Bourdieu, as minorias sociais se encontram sobre um poder simbólico, no qual a elite utiliza instrumentos de manipulação social, como o Estado e a mídia, para naturalizar ideologias e reproduzi-las ao longo dos anos. Por exemplo, a percepção de negros como pessoas com tendências agressivas é uma construção social, que corrobora com o racismo. Dessa forma, é preciso reverter esse quadro para desconstruir estereótipos e alcançar a igualdade.
Outrossim, é irrefutável que a prevalência da figura militar como promovedor da segurança por meio da violência para obter o controle social é uma das inúmeras causas do autoritarismo e opressão sobre as camadas marginalizadas. Nessa perspectiva, consoante à Regina Célia Pedroso – historiadora e doutora em Ciências Humanas – em sua obra “Estado autoritário e ideologia policial”, o governo estigmatiza e julga determinados grupos por seus antecessores morais e históricos, gerando uma mentalidade repressiva. Por conseguinte, a ação policial age de acordo com os níveis de tolerância estatal. Dessa maneira, é indispensável que medidas sejam tomadas nas competências das instituições políticas e militares.
Portanto, é de suma relevância encontrar mecanismos que atenuem tais conflitos no atual âmbito. Para que isso ocorra, o Estado – como provedor de direitos – deve buscar estabelecer uma maior isonomia nacional, através de simpósios estaduais direcionados a toda população, em especial aos grupos militares, abordando temas como agressão policial, violação de direitos e racismo estrutural. Com a finalidade de nortear os cidadãos sobre o assunto e assim construir um ambiente distante da realidade do filme.