Violência policial contra negros no Brasil e no mundo
Enviada em 22/09/2020
É de conhecimento geral que a violência policial na práticas de controle social tornou-se uma constante nas sociedades modernas e contemporâneas, que se faz presente nas instituições inicialmente encarregadas de combater a violência e de promover justiça. Os casos apresentados quase diariamente revelam que a violência policial contra a população negra está para além de qualquer suspeita de ação criminosa.
Convém lembrar que a intersecção entre raça, classe social, pertencimento territorial e perfil etário tem sido determinante na produção dos critérios de suspeição na prática policial brasileira, pois os jovens negros, pobres e moradores de favelas configuram o público alvo das abordagens policiais.
A ausência de fiscalização efetiva por parte das instâncias competentes da segurança pública contribui para a disseminação de práticas discriminatórias e racistas entre os agentes policiais. As fragilidades no plano das políticas públicas destinadas à juventude, bem como a fragilidade ou ausência das redes de proteção sociais são intensificadoras da vulnerabilidade vivenciada pelos jovens negros, cujas trajetórias se cruzam negativamente com os caminhos da Polícia em seu trabalho cotidiano de controle social.
Um aspecto indispensável a ressaltar é que os jovens devem ser potencializados e reconhecidos socialmente, tendo garantido o direito de acessar as oportunidades educativas, de cultura, de lazer, de esporte, a cidade e seus equipamentos públicos, a saúde e as políticas sociais. A crítica aos discursos que operam a juventude pelo negativo precisa ser instigante e intensa, pois o homicídio contra jovens tem relação igualmente com o estigma que marca a vida dessa parcela da população, pela desqualificação e pela discriminação negativa.