Violência policial contra negros no Brasil e no mundo
Enviada em 22/09/2020
Brasil e Estados Unidos compartilham números desproporcionais de assassinatos de negros pela polícia. Como negro, Garner corria 2,9 vezes mais risco de ser morto por policiais do que uma pessoa branca. No Brasil, o risco é 2,3 vezes maior para os negros. A violência contra negros em proporção maior do que de brancos fez o País ser denunciado à Corte Interamericana de Direitos Humanos pela ONG Educafro em 2019, que considera que a política brasileira de combate à violência tem causado um “verdadeiro genocídio” da população negra. A denúncia pede que parte do PIB seja investido em inteligência policial.
Homens negros, sobretudo jovens, são as principais vítimas da violência policial no estado de São Paulo.Entre os anos de 2009 e 2011, 939 casos de ações policiais foram analisados. O resultado aponta que 61% das vítimas de morte por policiais eram negras. No âmbito infanto-juvenil, os dados são mais alarmantes: entre 15 e 19 anos, duas a cada três pessoas mortas pela PM são negras.
Mais da metade das vítimas dos casos analisados, 57%, tinha menos de 24 anos quando foram mortas. “Nem as políticas de intervenção nem as de repressão estão sendo tentadas com pessoas tão jovens. A primeira intervenção da Política de Segurança Pública, nesse caso, com pessoas de 12, 14, 16 anos, já tem sido a ação violenta da polícia”.
O estudo destaca que o racismo não envolve os agentes policiais como indivíduos, representando uma resposta às regras tradicionais das próprias instituições responsáveis por garantir a segurança da população.O “racismo” identificado no estudo é construído a partir da concepção incorporada das próprias ações públicas. Essas características são passadas de maneira informal, identificando os jovens negros como indivíduos passíveis de cometer violência. “Não é possível, entretanto, analisar se os negros cometem ou não mais crimes”