Violência policial contra negros no Brasil e no mundo
Enviada em 22/09/2020
A brutalidade do uso excessivo da força policial contra negros é corriqueira nos países do continente americano, sobretudo nos Estados Unidos e no Brasil. Diante de casos que chocaram ambos os países, pode ser citado o recente ocorrido com o americano George Floyd, que foi asfixiado até a morte por um policial branco e o ocorrido com o jovem João Pedro, na cidade de São Gonçalo, que foi alvejado por um tiro em sua residência. Podemos observar que, diante da população carcerária do Brasil e dos Estados Unidos, existe um padrão racial para os prisioneiros, em sua maioria de cor negra.
Todavia, cabe destacar que o contexto histórico de ambos os países influencia nesse tipo de política de segregação. Os EUA e o Brasil, em sua história, enfrentaram períodos escravocratas, onde negros, além de escravizados, sofriam diversos tipos de violência física e psicológica. Nos Estados Unidos, a maioria da população é de cor branca, o que faz os negros serem minoria. No Brasil, ocorre o oposto, a maior parte da população é composta por pessoas de cor negra e parda, colocando assim, os negros em posição de minoria em quesitos sociais e históricos, porém maioria em questão numérica. Os ordenamentos jurídicos de ambos os países trouxeram políticas de segregação, mesmo após o período de escravidão, o que pode explicar o contexto da violência policial nos dias atuais.
Um relatório da Anistia Internacional, apontou, em 2015, que as forças policiais brasileiras são as que mais matam no mundo. De maneira geral, são homicídios de pessoas já rendidas e alvejadas sem qualquer aviso prévio. Em 2014, 15,6% dos homicídios registrados no Brasil tinham como autor um policial no País. A maioria das pessoas mortas por policiais são jovens e negros, no Rio de Janeiro, 99,5% das pessoas assassinadas por policiais entre 2010 e 2013 eram homens, 80% negros e 75% tinham idades entre 15 e 29 anos e grande parte dos autores dos disparos não foram punidos.
Os períodos de escravidão no Brasil e nos Estados Unidos contribuíram para a violência policial que ocorre hoje em ambos os países. É possível observar os períodos históricos e entender o vivenciado nos dias de hoje, pois o estado oprime e segrega pessoas de cor negra há séculos. Desse modo, o Estado brasileiro ao tentar embranquecer a população, entendia que os brancos eram superiores, em razão de um pensamento eugenista que acontecia naquela época.
Assim, a violência policial observada hoje é o reflexo dos erros do passado, onde ambos os países reprimem, até hoje pessoas negras, de modo que o racismo se tornou institucionalizado, de modo que as instituições estatais naturalmente segregam os afrodescendentes. Os casos expostos não são os primeiros; e enquanto a política de encarceramento não parar de olhar para a juventude negra, não vão ser os últimos