Violência policial contra negros no Brasil e no mundo
Enviada em 07/10/2020
Desde a era colonial, estruturou-se a ideia de que a população desprovida de traços brancos não haveria de ser considerada civilizada. Tal pensamento perdura até os dias atuais, quando observado, por exemplo, o aumento do genocídio de povos negros, vítimas da violência policial que, muitas vezes, sai impune. Dito isso, cabe avaliar como o racismo estrutural contribui para a intensificação dessa problemática.
Apesar da abolição da escravatura ter ocorrido em 1888, o racismo ainda encontra-se elencado na sociedade brasileira e funciona como martírio para os melânicos. O fato da construção histórica do estereótipo de um “criminoso” estar ligado à cor da pele justifica, como ações de combate ao crime, as operações policiais em lugares onde há a predominância desses grupos. Assim, evidencia-se os efeitos negativos desse preconceito racial, já que, no Brasil, os negros representam 75% dos mortos pela polícia, de acordo com a Rede de Observatórios da Segurança.
Além disso, a questão da negação do racismo sistêmico e a maneira desprezível como a mídia e o governo tratam esses homicídios são fatores que colaboram para os policiais continuarem a cometer atos violentos, já que não temem a investigação. Como ocorreu em julho de 2020, quando um PM pisou no pescoço de uma mulher - negra de 51 anos - em plena luz do dia e, além de não ter sido punido pela situação, alegou que foi apenas legítima defesa.
Portanto, conclui-se que o preconceito racial precisa ser reconhecido para ser combatido. Para isso, convém que as centrais de comunicação ajudem na criação de programas, com o intuito de dar maior visibilidade aos afrodescendentes e aumentar sua participação em setores políticos e econômicos. Dessa forma, o poder Executivo deve apoiar ações de combate ao racismo e impor que a Secretaria de Segurança Pública garanta que as ações policiais sejam compatíveis com os princípios do Estado Democrático de Direito, respeitando o devido processo legal.