Violência policial contra negros no Brasil e no mundo

Enviada em 20/10/2020

A minissérie “Olhos que condenam”, lançada em 2019 no catálogo do Netflix, retrata o caso de cinco jovens que foram, injustamente, acusados de um estupro no Central Park, tendo como principal temática a invisibilidade dos jovens negros. Sob esse misto de ficção e realidade da série tem-se, analogamente, a situação dos negros serem os que mais morrem e os mais encarcerados do mundo. A partir desse viés, é válido discutir o racismo estrutural que está, intimamente, relacionado com a violência policial contra os negros.

De início, é importante entender que um dos principais motivos do Brasil ser um dos líderes mundiais em violência contra pretos é o negacionismo do racismo estrutural e interpessoal. Isso devido ao mito de Democracia Racial, já abordado pelo sociólogo Florestan Fernandes, o qual defendeu que a democracia só será uma realidade quando houver igualdade racial e o negro não sofrer nenhuma espécie de segregação. Tal utopia é alimentada no país pela fama de cordialidade e harmonia multirracial, porém, de acordo com o IBGE 70% da população negra não se encontra em um bom estado social e econômico. Nota-se, então, que não há uma democracia racial no Brasil, pois desde o cenário pós-abolição da escravatura, não foi oferecido à população negra qualquer apoio financeiro, criando, assim, uma população marginalizada e vítima de casos de discriminação e violência.

Convém pontuar, ainda, que uma sociedade construída sob a base de um mito, ignorando a realidade de uma raça, encontra nas estatísticas a verdade sombria, visto que segundo a BBC Brasil, cerca de, 75,5% dos homicídios são de negros mortos por policiais. Desse modo, percebe-se o policial como um instrumento para aplicação da discriminação disseminada desde o período colonial. Isso ocorre não apenas no Brasil, como também nos EUA, por exemplo, onde, recentemente, um caso chamou atenção do mundo, em que um policial imobiliza a vítima negra, George Floyd, o qual antes de ser assassinado repete a frase “Não consigo respirar.” que se tornou um grito de guerra para ativistas que protestam contra a brutalidade policial contra negros.

Logo, uma mudança real para esse problemático cenário pode e deve ser feita por meio de ações efetivas do Estado, o qual, utilizando-se do Ministério da Educação -por ser responsável por todo o sistema educacional brasileiro- lance projetos que “escancarem” a existência do racismo no Brasil e no mundo, pois conhecendo as causas mitigam-se os efeitos. Isso pode ser feito através de palestras de pessoas pertencentes a essa minoria social. Faz-se necessário, também, o enrijecimento da politica de leis policiais para lidarem com a negligência e brutalidade contra a vida negra por descriminação, isso através da imposição de um escopo antirracista no treinamento e capacitação dos policiais.