Violência policial contra negros no Brasil e no mundo

Enviada em 23/10/2020

“Vidas Negras Importam” foi o grito de socorro do movimento negro ao redor do mundo mediante a diversos homicídios por injúria racial nos Estados Unidos em 2020. Tal cenário, chegou ao Brasil de forma pungente, tendo em vista que a polícia brasileira está entre as primeiras que mais matam pessoas negras no ranking mundial. Dessarte, é exposto como o racismo ainda tem seu lugar no país da miscigenação, sendo este um problema propagado em sua forma estrutural ou por meio de sua negação.

Sob esse viés, torna-se evidente a reprodução de injúrias raciais até mesmo da figura governamental, visto que o Estado, instituição responsável por manter a igualdade e segurança, não consegue efetuar seu ofício de maneira imparcial. Tal panorama pode ser relacionado ao pensamento de Silvio Almeida, em sua obra “Racismo Estrutural”, o filósofo e jurista brasileiro explica que esta forma de segregação permeia na sociedade brasileira em seu esqueleto político, econômico e social. Nesse sentido, a visão organismo social do filósofo é confirmada.

Outrossim, é relevante pontuar a negação ao racismo no Brasil, sendo o ponto de vista justificado pela miscigenação presente no genótipo brasileiro. Em consequência, há a profusão de atos de discriminação racial justificados pelo mito da democracia racial, descrito pelo autor Gilberto Freire em seu livro “Casa-Grande e Senzala”, que por muito tempo tomou seu lugar como fato na intelectualidade no Brasil. Essa circunstância, pode ser explicada pelo pensamento de Hannah Arendt, chamado Banalidade do Mal, em que os indivíduos tendem a naturalizar comportamentos que estes têm como algo que traz malefícios no cotidiano. Sendo assim, a colocação desta é comprovada quando observa-se o contexto brasileiro.

Infere-se, portanto, que medidas são necessária para mitigar conturbações relacionadas a violência racial, não importando o meio pelo o qual se difunde. Dessa forma, o Estado e seu braço armado, a polícia, responsáveis pela segurança, devem realizar uma reforma em sua estrutura, impondo punições severas a discriminações raciais. Concomitantemente, as instituições escolares devem inserir conteúdos relacionados ao combate ao racismo desde as primeiras séries, evitando problemas futuros. Sendo assim, o país se tornará mais harmônico e menos desigual para o presente e para futuras gerações.