Violência policial contra negros no Brasil e no mundo
Enviada em 23/10/2020
“A cada quatro pessoas mortas pela polícia, três são negras”. O dado citado pelo grupo de rap Racionais MCs proporciona aos ouvintes uma conscientização sobre a incidência da violência policial contra negros no Brasil, não sendo um problema restrito ao país, visto que se sucede, em maior parte, concomitantemente ao racismo estrutural presente na sociedade.
É consenso que a população negra é historicamente marginalizada em inúmeros aspectos, sendo notável a sua grande concentração em comunidades periféricas e a inserção de alguns indivíduos em atividades criminosas em consequência da desigualdade social, entretanto, há uma ampla e comum generalização, pautada no racismo estrutural presente há séculos na sociedade em decorrência dos anos de escravidão; generalização, esta, que explica as atitudes violentas de agentes policiais, que ferem os direitos humanos e afetam o psicológico destas pessoas, proporcionando um sentimento oposto ao que deveria ser construído por sua profissão: o medo.
Parafraseando Yanilda Maria Gonzáles, nos EUA, de todos os homicídios cometidos pela polícia, 6% são negros, enquanto que, no Brasil, essa porcentagem se eleva a 10%, e, por mais que movimentos em defesa à violência contra este grupo social, como o Black Lives Matter, tenham ganhado destaque nas mídias sociais, ainda não é o suficiente para acabar com o abuso de poder advindo de agentes corruptos que falham com seu papel na sociedade como profissional e indivíduo ao cometer tais ações criminosas que, infelizmente, muitas vezes, recebem a impunidade.
Desta forma, sendo um problema de ocorrência global, faz-se necessário que a Organização das Nações Unidas intervenha com propostas de investigação aos profissionais corruptos e suspeitos por tais crimes e campanhas de incentivo à denúncia diretamente ao órgão citado, desta forma, oferecendo amparo para essa camada social majoritariamente afetada e garantindo que os criminosos não saiam mais impunes.