Violência policial contra negros no Brasil e no mundo
Enviada em 25/10/2020
O conceito de entropia, da Física, mensura o grau de desordem em um sistema termodinâmico. No entanto, fora das Ciências da Natureza, no que concerne a violência policial contra negros no Brasil e no mundo, percebe-se a configuração de um problema entrópico, em virtude do caos presente na questão. Nesse sentido, é preciso que estratégias sejam aplicadas para alterar essa situação, que possui como causa os resquícios coloniais de inferioridade dos negros e como consequência a propagação de condutas violentas contra negros devido ao estereótipo de marginalização.
Convém ressaltar, a princípio, que a herança neocolonialista de violação aos direitos da população afrodescendente é um fator determinante para a persistência do problema. De acordo com o pensamento de Claude Lévi-Strauss, só é possível interpretar adequadamente as ações coletivas por meio do entendimento dos eventos históricos. Nesse sentido, o desrespeito em relação a integridade física e psicológica dos negros por parte da polícia representa uma supressão dos direitos assegurados pelo artigo 5º da Constituição Federal, em que se garante a igualdade perante a justiça independente de raça, credo ou etnia. Tal cenário reforça as raízes na qual o Brasil foi construído, sendo o último país do mundo a abolir a escravidão, configurando o combate ao racismo como uma pauta relativamente recente quanto a um impasse que perdura durante séculos.
Em consequência disso, surge a questão da associação de negros a um caráter marginal, sustentado por generalizações de ideologia racista , que intensifica a gravidade do impasse. Conforme Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, é possível perceber que a questão da opressão segregacionista é fortemente influenciada pelo pensamento coletivo, uma vez que, se as pessoas crescem inseridas em um contexto social intolerante, a tendência é adotar esse comportamento também, o que torna sua solução ainda mais complexa. Seguindo esse raciocínio, a manutenção desse panorama produz ideologias nocivas ao convívio social entre pessoas de diversas “raças”, visto que a índole criminosa atribuída de forma forçada aos negros, ocasiona reações violentas por parte dos responsáveis por combater o crime, alienados desde a infância a ter esta concepção.
Torna-se imperativo, então, desenvolver medidas que ajam sobre o problema. Desse modo, com o intuito de mitigar a violência policial contra negros , necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério da Justiça, será revertido em fiscalizações às atividades policias, através da contratação de profissionais que formarão um comitê de inspeção e avaliação da observância dos direitos dos cidadãos negros. Somente assim, o grau de desordenamento do corpo social será atenuado e o nível entrópico será abreviado.