Violência policial contra negros no Brasil e no mundo

Enviada em 01/12/2020

A Lei Áurea, promulgada no dia 13 de maio de 1888, encerrou a trabalho forçado no Brasil, libertando milhões de cativos negros. No entanto, ainda há, na atualidade, formas de escravidão, sobretudo as de cunho mental, que cultivam preconceito contra etnias negras, que sofrem, assim, com a exclusão e a violência policial causada por uma mentalidade preconceituosa e arcaica. Assim, seja causada pelo legado histórico, seja por noções equivocadas de superioridade, o violência contra negros deve cessar.

Em primeiro plano, o legado histórico de abandono dos ex-escravos ocasionou sua segregação, - econômica e social - que vigora até a contemporaneidade. Nesse sentido, a Lei da Terra, instituída no final do século XIX, restringiu o acesso à terra: essa, antes livre, deveria agora ser comprada. Por consequência, a população negra foi deixada à margem, porque, sem capital, não foi incluída produtiva e socialmente, o que implicou a sua marginalização empregatícia, levando, muitas vezes, a roubos e furtos para sua sobrevivência. A perpetuação de um ideário passado do negro como criminoso é evidente nos dias atuais: mesmo que essa realidade seja a exceção, é tratada como regra pelas forças policiais, que abusam de seu poder e violentam muitos pretos no Brasil.

Ademais, o mito da superioridade do branco, incrustado nos que deveriam manter a ordem, é utilizado para justificar, de forma infundada, os atos brutais contra os pretos. Nesse viés, a ideologia cientificista, que vigorou intensamente no século XIX, afirmava que o europeu de pele clara era intelectual e moralmente mais avançado que o negro. Esse ideário, apesar de comprovado incorreto, ainda é presente na sociedade, e reflete, desse modo, no meio de ação dos policiais, que tratam de forma desigual as diferentes etnias. Ocorrem que brancos são privilegiados em detrimento dos pretos, que sofrem diariamente com a violência policial, como evidenciado pelo assassinato brutal do americano George Floyd.

Destarte, para solucionar a problemática exposta, urge que as escolas desconstruam o mito da diferença entre as etnias, de modo a tornar a sociedade pacífica. Isso poderia ser feito por meio de aulas de biologia com base filosófica, demonstrando aos alunos que as diferenças entre brancos e negros são restritas à cor da pele e que a que dita superioridade da pele clara é apenas um mito ultrapassado. Esse projeto seria chamado de ‘‘Iguais nas diferenças’’ e por ele, destruir-se-iam as bases preconceituosas da sociedade, de modo a pulverizar a violência contra os pretos.