Violência policial contra negros no Brasil e no mundo
Enviada em 20/11/2020
Consoante o ativista político estadunidense Martin Luther King, “a violência cria mais problemas sociais do que resolve”. Ademais, a violência policial contra negros no Brasil e no mundo, é uma das questões mais discutidas pela sociedade do século XXI. Assim, na opinião de pesquisadores, o Brasil e os Estados Unidos (EUA), são países com grandes semelhanças nas causas, manifestações e dimensões do problema. Nesse contexto, pode-se evidenciar a existência do racismo estrutural, e também, as desigualdades raciais entre as vítimas da letalidade policial.
Em primeiro plano, nota-se que o racismo estrutural é um fator agravante da problemática. De acordo com a pesquisa “As Faces do Racismo”, realizada no ano de 2020, pelo Instituto Locomotiva com a colaboração da Central Única de Favelas (CUFA), 62% dos 3.111 entrevistados acham que o racismo encontra-se na sociedade brasileira, enquanto 38% assegura que apenas alguns indivíduos são racistas. Com isso, especialistas afirmam que muitos brasileiros ainda não admitem que o tema é parte da estrutura da população e uma das razões para a perpetuação da discriminação. Além disso, está consolidado no país desde os tempos coloniais, porém se perpetuou após um processo de desvalorização e restrição de acesso dos negros a oportunidades de ascensão social.
Em segundo plano, deve-se destacar que há desigualdades raciais entre vítimas da mortalidade policial. Segundo um relatório da Anistia Internacional, em 2015, apontou que as forças policiais brasileiras são as que mais matam no mundo. Por conseguinte, a maioria das pessoas mortas por essas autoridades são jovens e negros, sendo que no Rio de Janeiro, 99,5% das pessoas assassinadas por policiais entre 2010 e 2013 eram homens, 80% negros e 75% com idades entre 15 e 29 anos. Decerto, os agentes agem em função de hierarquias sociais racistas, mostrando desigualdades na sua execução, às quais reproduzem a ideia da população de que a polícia deveria tratar todos os cidadãos com igualdade.
Portanto, diante do exposto, é essencial uma intervenção para modificar a adversidade. Logo, é imperioso um ato do Ministério da Justiça e Segurança Pública, em parceria com o Ministério da Educação e ONGs, por meio de verbas públicas, promover ações sistemáticas com palestras e materiais didáticos nas instituições responsáveis por garantir a segurança da comunidade. De modo que, o intuito de tal medida, é diminuir a incidência de violência contra negros e protegê-los, pois caso aconteça um delito, é necessário que o agente sofra as devidas consequências impostas pelo poder judiciário. Dessa forma, após tais ações serem feitas, é esperado que com a eliminação da violência não sejam criados mais problemas sociais, diante da perspectiva citada por Martin Luther King.