Violência policial contra negros no Brasil e no mundo

Enviada em 12/11/2020

Tiros, operações , gritos. Tais palavras remetem a um filme de guerra. No entanto, nada mais é do que o reflexo de uma realidade vivenciada dentro das favelas, principalmente por vidas negras. É inegável que a sociedade brasileira é marcada pelo racismo enraizado desde a época da colonização — sendo o último país da América a abolir a escravidão. Concomitantemente, o racismo se espalha por outros países de caráter histórico colonial escravista. Tal fato se concretiza nos dias atuais através de inúmeras manifestações de racismo, seja por violência física e psicológica ou segregação socioespacial, o que se aplica à atuação policial através de agressões e intimidações.

Em primeiro lugar, é importante realizar uma análise do poder visto por Foucault — filósofo francês- com relação à violência policial. O poder que antes era concentrado no Estado, se fragmentou em micro poderes. De acordo com o autor, as sociedades contemporâneas possuem caráter disciplinar. A partir disso é possível enxergar uma relação de poder vertical no qual a força policial se vê no direito e dever de exercer violência contra um grupo que já é estigmatizado como “bandido”, a fim de docilizar os corpos. Tal questão é aprofundada no filme “O ódio que você semeia”, no qual a protagonista negra perde um amigo para a força policial e reivindica seus direitos lutando por justiça.

Ademais, vale ressaltar que a questão do racismo tem influência direta na violência contra negros. Embora o Brasil possua uma população consideravelmente miscigenada, a falta de uma política de inclusão pós abolição da escravidão, somado à política de embranquecimento — que deu-se até 1920 — trouxe a violência como forte influência para os dias atuais. Hodiernamente, isso pode ser afirmado tanto com pesquisas realizadas pelo DW Brasil - notícias e análises , que aborda que entre janeiro e julho de 2019, a polícia matou mais de mil pessoas Estado do Rio de Janeiro, sendo 80% negros, como no favorecimento dos brancos em processos criminais (um negro encontrado com drogas é retratado como traficante, enquanto que um branco seria apenas um portador).

Portanto, é notória a discrepância da abordagem policial em virtude da cor do indivíduo. Assim sendo, se faz urgente efetuar mudanças na política de segurança pública, a fim de incorporar o respeito aos direitos humanos e eficiência policial como principais pilares da instituição. A Secretaria de Segurança Pública em conjunto com o Ministério da Justiça, devem aplicar o conceito de policiamento sustentável, Através de alterações na grade curricular das academias de polícia, com a inclusão de aulas que foquem na capacitação em gestão de informação e análise criminal — focadas na resolução de problemas. A fim de tornar os policiais mais aptos e humanizados — algo de suma importância para o combate ao racismo.