Violência policial contra negros no Brasil e no mundo

Enviada em 16/11/2020

Em um país fundado em cima da opressão do povo negro, é eminente nos dias de hoje as sequelas de toda esta exploração. Seja pela exclusão social, quase nula representatividade na grande mídia e fulminante ignorância pelo corpo político, a população afrodescendente do Brasil encontra-se em uma complexa situação, tal que até mesmo aqueles que deveriam os proteger, se tornam cada vez mais hostis.

Como demonstrado pelo documentário “Do Not Resist”, a brutalidade policial pode ser diretamente ligada com a história local, tal que locais com histórico grande de revoltas, atuação criminosa ou conflito armado tendem a ter uma força policial muito mais militarizada fator que, diretamente influencia no modo com que estes homens e mulheres se veem e comportam (como demonstrado pelo estudo “Why the War On Terror has militarized the police”). Pesquisas realizadas durante o desenvolvimento desta tese mostram que 77% dos policiais consultados concordam que o equipamento e ambiente militarizado influenciam o comportamento do policial, tornando-o mais violento, mais assertivo e mais agressivo, além de tornar o visual , pelo semblante belicoso, algo mais próximo de uma força invasora, o completo oposto de um corpo de defesa civil.

A policia brasileira, militarizada desde o inicio do século XX, cai exatamente em todos os fatores supracitados, porém, pela história e cultura da nação, uma característica adicional é acrescentada na mistura; O antagonismo da prole operária, começado ainda no período de colônia, reforçado pela Lei Áurea e seu imenso fluxo de escravos, agora libertos, em busca de oportunidades nas cidades, e de fato concretizado com o período militar, após 1964, quando a violência desnecessária atingiu em cheio a massa popular, e principalmente a juventude negra, que, sem nenhuma chance ou argumento de defesa, vem sendo oprimida e destratada desde então.

Conclui-se então que, a violência, pelo contexto socio-cultural do país, é inevitável, porém, campanhas de desmilitarização da policia, grandes mobilizações populares sobre o tema, engajamento de organizações não governamentais e a massiva exposição midiática desse problema podem enfim acender uma chama de mudança na ignorante elite privilegiada.