Violência policial contra negros no Brasil e no mundo

Enviada em 16/11/2020

O longa “O ódio que você semeia” acompanha o adolescente Starr Carter após testemunhar o assassinato de Khalil Harris, seu amigo negro que estava desarmado, cometido por um policial branco. Sem motivo aparente, além do racismo, o agente para o carro dos dois, e no momento em que o garoto se mexe, atira e o mata. O filme se torna ainda mais importante quando existem episódios de racismo praticados por policiais em todo o mundo. Logo, fica claro que, para o combate da violência policial contra negros no Brasil e no mundo, é de suma importância uma reavaliação da seletividade policial e a conscientização social pelo respeito igualitário.

Em primeira análise, é necessário destacar que, segundo Anuário Brasileiro de Segurança Pública, em 2019, 75% das mortes decorrentes de intervenções policiais tiveram como vítimas negros. Esses dados mostram que essas ações são legitimadas pelos estereótipos raciais, pelo racismo que estrutura a sociedade brasileira. A composição raça, classe e território autoriza uma ação violenta contra a população negra. Uma das várias vítimas desse racismo institucional é João Pedro, um estudante carioca de 14 anos que estava em casa quando policiais chegaram atirando onde João e amigos estavam. O rapaz foi atingido na barriga e morreu. Ademais, esses casos não acontecem exclusivamente no Brasil, já que George Floyd, um homem negro, foi estrangulado por um policial branco que ajoelhou em seu pescoço durante uma abordagem por supostamente usar uma nota falsificada de vinte dólares em um supermercado.

Outrossim, Glauco Silva de Carvalho, doutor em Ciência Política pela FFLCH da USP, afirma que a militarização não é o único fator responsável pela crescente violência policial. Bruno Paes Manso, pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência da USP, aponta que o Brasil é o país com maior número de homicídios do mundo, mesmo sem estar presente em nenhuma guerra, e “isso é um sintoma da fragilidade política das instituições”. De acordo com Carvalho, os policiais pararam de acreditar no sistema criminal, pois muitos policiais foram mortos, os culpados absolvidos, e os agentes estão nas ruas como ponta do sistema e querendo sobreviver.

Com o intuito de amenizar a situação, e assim diminuir casos de violência policial contra negros, é necessário que o Ministério da Justiça e Segurança Pública invista na formação dos policiais, com aulas sobre direitos humanos e treinamento permanente para os que estão nas ruas, mas também estudar com inteligência o mercado ilegal vinculado ao crime, para tirar a força financeira dos grupos criminosos atuantes em toda uma cadeia comercial.