Violência policial contra negros no Brasil e no mundo

Enviada em 21/11/2020

O filme norte-americano “O ódio que você semeia” acompanha a história de uma adolescente negra, a qual é pressionada para falar sobre um caso de brutalidade policial que presenciou ao vivo: a morte de seu amigo. Contudo, essa obra vai muito além da cinematografia, ela representa a realidade do mundo todo, visto que a abordagem policial se distingue sobre diferentes raças, assim como acontece em cenas do filme nas quais a menina é oprimida por tentar fazer com que outros ouçam sua voz. Tal brutalidade coloca a vida de muitos negros em perigo, fazendo-se necessária uma intervenção que busque garantir seus direitos humanos.

Em primeira análise, é explícito esse diferencial nas conduções policiais, uma vez que as pessoas negras são mais da metade da população brasileira e 75% das vítimas assassinadas pela polícia,  segundo a professora Yanilda Maria Gonzales. Esse cenário não é nem um pouco diferente em outros países, muitas vezes justificado pela concepção racista incorporada nas ações públicas, identificando os jovens negros como sujeitos mais propícios a cometer delitos e violências.

Em segundo plano, a brutalidade policial em relação aos negros não envolve somente agentes policiais, mas tais ações são consequências das regras tradicionais impostas pelas instituições responsáveis ​​por garantir a segurança da população como um todo, independente da raça. Além de que, nos dias atuais, o racismo ainda é ensinado de forma informal e muitas vezes passa despercebido pela sociedade, já que, segundo Nelson Mandela, ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, o racismo é ensinado.

Portanto, medidas são imprescindíveis para a resolução do impasse. Cabe ao Ministério da Justiça e aos órgãos de segurança pública estabelecer critérios mais rígidos de recrutamento e melhorar a formação dos policiais sobre a existência de um racismo estrutural e como preveni-lo. Além disso, é necessário um melhor controle sobre a lei número 7716 (Leis dos Crimes de racismo) quando se trata de brutalidade policial, aumentando a pena de quem cometer esse crime. Como ainda dito por Nelson Mandela, o racismo é ensinado assim como o amor, portanto, a sociedade é capaz de amar sem olhar para as peculiaridades de cada indivíduo.