Violência policial contra negros no Brasil e no mundo

Enviada em 20/11/2020

Segundo Thomas H. Marshall, a cidadania substantiva representa a expansão dos direitos civis, políticos e sociais para toda a população de uma nação. À luz disso, ao analisar a violência policial contra negros no Brasil e no mundo, nota-se uma civilização que não almeja alcançar a cidadania ilustrada por Marshall. Desse modo, quando se verifica-se as causas para tal comportamento, percebe-se que são frutos de uma sociedade racista, mas também de um ensino tecnicista.

A princípio, de acordo com Émile Durkheim, a sociedade pode ser comparada com um “corpo biológico”, por ser assim como esse: composta por partes que interagem entre si. Sob esse prima, nota-se a dificuldade de debater sobre a violência policial direcionado à população negra sem observar a postura do corpo social, uma vez que devido a tal interação, verifica-se a impossibilidade de compreender os comportamentos de forma isolados. Em vista disso, ao detectar a manutenção de uma civilização racista, a qual subjuga a raça negra como inferior, percebe-se que essa mentalidade também se reverberará no tratamento policial dirigido a essa população. Assim, uma sociedade que marginaliza os negros faz com que esses sejam vitimas de inúmeras forma de brutalidade social.

Ademais, conforme a filósofo Immanuel Kant, “o ser humano é aquilo que a educação faz dele”. Nesse sentido, constata-se que a educação representa o fundamento, o qual norteia a conduta do indivíduo em sociedade. Consoante a isso, ao detectar as práticas desumanas que a população negra fica à mercê, observa-se uma educação que não estimula a condenação dessa ação. Seguindo tal linha de pensamento, identifica-se que isso é fruto de um ensino tecnicista presente no cenário escolar, dado que esse não se ampara na realidade do indivíduo e nem nas problemáticas que o cerca, mas sim, na formação de cidadãos aptos para o mercado de trabalho. Dessa forma, uma didática pedagógica que não fomenta o olhar critico do seus alunos em relação às questões sociais favorece a persistência de injustiça sociais.

Logo, é mister que o Estado mude esse quadro. Para tanto, cabe a esse, mediante o repasse de verbas públicas, traçar políticas que buscam coibir a violência policial dirigida aos negros. Nesse viés, tais programas criarão, no ambiente escolar, palestras relacionadas ao comportamento do homem na sociedade, as quais serão lecionadas por sociólogos e filósofos, por meio das obras de Durkheim, a fim de demonstrar a comunidade local que o respeito ao negro em determinado contexto é reflexo de uma população que adota essa prática nas diversas facetas que constitui o corpo social, para que, assim, haja o entendimento sobre a necessidade de vencer o racismo. Dessarte, diante de um ensino critico a  civilização brasileira, como  a mundial, conseguirá a vivenciar a cidadania  exposta por Marshall.